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Sindicato cobra TAM por demissão de tripulantes

Especula-se que a companhia aérea prepara um plano de demissões e novos cortes na oferta de voos

Por Da Redação 30 jul 2013, 13h21

Os rumores de que a companhia aérea TAM planeja uma demissão em massa de pilotos e comissários levaram o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), entidade que representa a categoria, a exigir explicações por parte da empresa. O SNA se reunirá com a diretoria de recursos humanos da TAM na manhã da terça-feira, em São Paulo. Segundo o sindicato, 290 tripulantes foram demitidos pela empresa ao longo do ano.

�A TAM tem sinalizado que terá de reduzir o quadro de tripulantes em função de uma readequação da malha. “Amanhã queremos uma posição oficial da empresa. Queremos saber se vai demitir ou não, quantas pessoas e em que condições”�, disse o presidente do sindicato, Marcelo Ceriotti. Circulam no mercado informações de que a companhia prepara um plano de demissão e novos cortes na oferta de voos, em função da deterioração do cenário econômico provocada pela alta do dólar e queda na demanda por passagens, disseram fontes do setor.

O clima de tensão na empresa se agravou no domingo, quando a empresa aérea divulgou a escala dos tripulantes para o mês de agosto. Alguns pilotos contratados mais recentemente ficaram de sobreaviso, sem detalhes sobre sua escala de voos, disse uma pessoa ligada à empresa. O temor se justifica porque a convenção coletiva da categoria determina que os pilotos em processo de admissão ou recém-contratados são os segundos na lista de cortes em caso de redução de quadro. À frente deles estão apenas os funcionários que quiserem deixar a empresa voluntariamente.

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Desde o dia 1º de junho, o sindicato convocou cinco reuniões com a diretoria de recursos humanos da TAM para tratar de demissões. Segundo Ceriotti, a companhia cortou 290 pilotos e comissários neste ano. “�A empresa tem dito que eles não se enquadravam na função e a rotatividade é normal. Mas achamos que é o início de um plano de redução de quadro. Eles não recontrataram”�, disse o presidente do sindicato. �”Agora existe um rumor forte de nova demissão em massa. Queremos uma posição oficial da TAM sobre isso.”

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No início da tarde desta terça-feira, a TAM anunciou que o corte dos funcionários se dará exclusivamente na tripulação (pilotos, copilotos e comissários) e que ele ficará abaixo dos mil postos de trabalho. De acordo com a companhia aérea, a medida é necessária para compensar a alta de custos com o câmbio e combustível, e que nenhum dos voos atualmente programados será afetado.

Crise – As líderes do setor aéreo brasileiro adotaram desde o ano passado uma postura conservadora, que prevê corte de voos não rentáveis, revisão de planos que objetivam expandir a frota e diminuir a equipe, após anos de crescimento acelerado. A estratégia pretende reverter os prejuízos bilionários acumulados diante de uma demanda mais fraca e custos mais altos, especialmente do combustível.

�As empresas tiveram que reduzir sua oferta para melhorar a rentabilidade. “A proposta é voar com o avião lotado e conseguir elevar os preços”�, disse o consultor em aviação, Nelson Riet. � Gol e TAM chegaram ao fim do ano passado com um volume de passagens à venda para voos domésticos inferior à oferta em dezembro de 2011: 9,52% e 3,7%, respectivamente, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Os cortes continuaram na TAM no primeiro semestre – em junho, a oferta caiu 10,73% ante o mesmo mês de 2012, acima da projeção da empresa para o ano. Em relatório a investidores em maio, a Latam Airlines, empresa criada após a fusão da TAM com a chilena LAN, projeta uma redução entre 5% e 7% na capacidade da TAM no mercado doméstico. A concorrente Gol anunciou no fim de junho que eliminará 200 voos a partir de agosto. A empresa disse, no entanto, que o corte não implicará em demissões.

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(com Estadão Conteúdo)

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