ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Setor público registra déficit de R$ 21,4 bilhões em agosto

O saldo é ligeiramente maior que o do mês anterior, quando houve déficit de R$ 21,3 bilhões

Por Redação Atualizado em 30 set 2024, 11h25 - Publicado em 30 set 2024, 11h06

O déficit fiscal do setor público consolidado do Brasil registrou um saldo negativo de R$ 21,4 bilhões em agosto, ligeiramente melhor do que os R$ 22,8 bilhões do mesmo mês em 2023, revelando um progresso modesto. No entanto, a alta constante da dívida pública e o impacto dos juros elevados sobre o orçamento indicam que o país ainda caminha em terreno instável.

O déficit cresceu ligeiramente acima do mês passado, quando o saldo foi de R$ 21,3 bilhões. A dívida pública, tanto líquida quanto bruta, segue uma trajetória ascendente. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) atingiu 62% do PIB, o equivalente a R$ 7 trilhões, enquanto a Dívida Bruta avançou para 78,5% do PIB, ou R$ 8,9 trilhões. Esses números, por si só, indicam o crescente fardo sobre o orçamento nacional, mas é a composição desses aumentos que desperta maior atenção.

A alta da dívida é impulsionada principalmente pela incorporação de juros nominais – que adicionaram 5,1 pontos percentuais ao endividamento em 2024 – em um contexto de política monetária restritiva, onde o Banco Central manteve a taxa Selic elevada para conter a inflação. Essa estratégia, embora eficaz no controle de preços, aumenta o custo do serviço da dívida, agravando o quadro fiscal. Além disso, a emissão líquida de títulos para cobrir déficits e a desvalorização cambial contribuíram para pressionar ainda mais o estoque de dívida.

O crescimento do PIB nominal, que poderia amenizar esse cenário ao diluir a dívida, acabou agindo em sentido contrário, com uma variação de -3,1 pontos percentuais no ano. Isso evidencia um dos maiores desafios do Brasil: equilibrar uma economia que cresce abaixo de seu potencial com a necessidade de financiar uma dívida que se expande rapidamente.

O déficit público e o aumento da dívida no Brasil, embora façam parte de uma tendência global, expõem com maior clareza as vulnerabilidades de economias emergentes. No caso brasileiro, o cenário internacional de incerteza se soma a questões estruturais internas. Isso mantém o país preso a um ciclo de ajustes fiscais, onde medidas temporárias de contenção de gastos e aumentos de impostos são frequentemente adotadas para fechar as contas, sem endereçar as raízes do problema.

Para romper esse ciclo vicioso, o Brasil precisa de uma estratégia abrangente, que inclua tanto o estímulo ao crescimento econômico quanto reformas fiscais de longo prazo. Além disso, é crucial uma reavaliação do papel da política monetária, que hoje se concentra em controlar a inflação, mas tem o efeito colateral de aumentar o custo do serviço da dívida. Com a Selic elevada, agora em 10,75%, o Banco Central sinalizou a disposição de continuar a aumentar os juros, caso a inflação permaneça fora da meta e os riscos fiscais persistam. Essa política, embora necessária no curto prazo para ancorar as expectativas de inflação, pode, a médio prazo, comprimir ainda mais o espaço fiscal.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas R$ 5,99/mês*
ECONOMIZE ATÉ 59% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Nesta semana do Consumidor, aproveite a promoção que preparamos pra você.
Receba a revista em casa a partir de 10,99.
a partir de 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app. Pagamento único trimestral de R$5,97, a partir do quarto mês, R$ 16,90/mês. Oferta exclusiva para assinatura trimestral no Plano Digital Promocional.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.