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Senado aprova indicação de Campos Neto ao comando do BC

Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro, neto do ex-ministro Roberto Campos substitui Ilan Goldfajn no cargo

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) e o plenário da Casa aprovaram nesta terça-feira, 26, o economista Roberto de Oliveira Campos Neto como o novo presidente do Banco Central.

A aprovação deve ser comunicada à Presidência da República, para ser oficializada. No plenário, a votação terminou com 55 votos a favor de ele assumir o cargo e seis contra. Já na CAE não houve votos contra Campos Neto.

O economista assume no lugar de Ilan Goldfajn, que resolveu não permanecer à frente do BC, segundo ele, por motivos pessoais. Campos Neto estava atuando como assessor do ministro da Economia, Paulo Guedes, e integrou a comitiva brasileira no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

O novo presidente do BC é neto do economista, diplomata e escritor Roberto Campos (1917-2001), defensor do liberalismo econômico, que participou do governo Juscelino Kubitschek e foi ministro do Planejamento do governo Castello Branco, na ditadura militar. Seu avô foi deputado federal e senador, além de membro da Academia Brasileira de Letras e embaixador em Washington e Londres.

O Banco Central é responsável, entre outras coisas, pelo controle da inflação no país e por definir a taxa de juros. Em reunião no dia 6 de fevereiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) da instituição decidiu manter a taxa básica de juros, pela sétima vez consecutiva, em 6,5%, a menor da história. Esse foi um dos assuntos mais abordados na votação no plenário, com diversos senadores pedindo uma queda.

O Senado também aprovou os nomes de Flávia Martins Sant’Anna Perlingeiro para a diretoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de Bruno Serra Fernandes, que ocupará a diretoria de Política Monetária, e de João Manoel Pinho de Mello para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.

Sabatina

Na sabatina na CAE, Campos Neto defendeu o projeto que fixa critérios para o exercício de cargo de dirigente em instituições financeiras públicas. “Precisamos aprimorar a governança, alinhando as exigências para os dirigentes em bancos públicos àquelas já existentes para o setor privado.”

O economista citou ainda quatro dimensões que ele considera importantes para democratizar o mercado de capitais no Brasil: inclusão, precificação adequada, transparência na formação de preços e educação financeira.

Ele também elogiou o projeto de autonomia para a autoridade monetária e defendeu a política realizada na área desde meados de 2016. “O objetivo é aprimorar o arranjo institucional de política monetária, para que ela dependa menos de pessoas e mais de regras, e para que estejamos alinhados à moderna literatura sobre o tema e aos melhores pares internacionais”, afirmou.

“Esse trabalho [de política monetário do BC] só foi possível, a meu ver, com o reforço da credibilidade institucional, que se encontrava abalada pelos resultados negativos colhidos em 2015 e em parte de 2016”, completou.

(Com Agência Brasil, Estadão Conteúdo e Reuters)