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Saiba por que a subida de 2,9% da produção industrial não anima

Estímulos para a fabricação de caminhões impulsionaram o avanço de 10% na produção de bens de capital em janeiro

Por Da Redação 11 mar 2014, 18h36

Os dados da produção industrial de janeiro vieram melhores do que o esperado. A alta de 2,9% chegou a surpreender analistas, que previam, no máximo, 2,5%. A economista do Banco ABC Brasil Mariana Hauer explicou que o dado, apesar de positivo, está longe de ser animador, pois não representa uma retomada do setor numa perspectiva geral, e sim um resultado impactado por fatores pontuais. Para Mariana, os números foram inflados em grande parte pela produção de caminhões.

Segundo a economista, o avanço de 10% da produção de bens de capital na comparação mensal (e de 2,5% em relação a janeiro de 2013) reflete os estímulos do governo concedidos à produção de caminhões. Trata-se do maior crescimento neste segmento desde junho de 1997, de acordo com dados do IBGE.

Mariana diz ainda que os efeitos do fim dos incentivos a bens duráveis já começam a ser mais perceptíveis. Segundo o IBGE, a categoria de bens de consumo duráveis subiu 3,8% ante dezembro, mas caiu 5,4% em relação a janeiro de 2013. “Na comparação interanual, trata-se da quarta queda consecutiva. Foi influenciada basicamente pela queda da produção de automóveis e de linha branca”, disse.

A economista afirmou que, apesar de os números terem ficado um pouco melhores do que o previsto e a produção de bens de capital ter avançado, é preciso cautela. “Se a alta em bens de capital fosse disseminada, ficaria feliz, mas a indústria segue volátil. É preciso avaliar os próximos dados. O crescimento está longe de apagar as quedas passadas”, concluiu.

A produção de caminhões é um importante indicador de crescimento da indústria e de investimentos na economia. Esse segmento sozinho tem impacto relevante na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede a taxa de investimento em relação ao PIB. As máquinas e equipamentos, incluindo caminhões, têm peso de 52% na FBCF. O governo dá estímulos à produção dos bens por meio do Finame, programa de financiamento do BNDES.

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(com Estadão Conteúdo)

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