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Rombo do PanAmericano chega a 900 milhões de reais

Instituição vendeu carteiras de crédito para outros bancos, mas continuou contabilizando esses recursos como parte do seu patrimônio

O Banco Central se isentou de qualquer responsabilidade no rombo das contas do Banco PanAmericano. Em coletiva coletiva na tarde desta quarta-feira, o diretor de fiscalização do Banco Central, Alvir Hoffmann, e o procurador-geral, Isaac Ferreira, esclareceram que a atuação do BC ocorreu há seis semanas, assim que as irregularidades foram detectadas – com base no balanço do segundo semestre de 2010 divulgado pelo banco Panamericano no início de agosto. “Assim que identificamos as inconsistências, começamos a agir. Não fizemos nada de errado, quem fez foram eles (o banco Panamericano)”, afirmou Hoffmann.

Caso o Panamericano não tivesse contado com o auxílio do FGC, o rombo em suas contas seria de 900 milhões de reais. Com os 2,5 bilhões de reais do fundo, a instituição consegue, segundo o BC, limpar seu balanço e manter o mesmo nível de patrimônio líquido que acumulou até hoje.

Na avaliação de Hoffmann, investidores institucionais, como os fundos de pensão e gestoras internacionais, possuíam títulos do banco – o que intensificou a necessidade de uma atuação para impedir a liquidação da instituição. “Com o aporte do FGC, houve a recomposição patrimonial do banco. Nós não poderíamos liquidar uma operação viável. Seria uma arbitrariedade legal”, afirmou o diretor.

Os representantes do BC informaram ainda que o banco Panamericano vendeu carteiras de crédito para outros bancos, mas continuou contabilizando esses recursos como parte do seu patrimônio. Segundo estimativas do BC, essas operações ocorrem há cerca de quatro anos, sem que nenhuma empresa de auditoria conseguisse detectá-las. O BC apurará, junto ao Ministério Público, se há indício de crime financeiro. “Estamos juntandos os documentos para investigar”, disse o diretor.