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Reserva da OGX em Tubarão Martelo é um terço da estimativa inicial

Mais uma vez, dados foram supervalorizados. Consultoria não encontrou nenhuma reserva provada de óleo na região

Por Da Redação 3 out 2013, 16h42

A petroleira OGX anunciou nesta quinta-feira que as reservas prováveis para o campo de Tubarão Martelo são um terço do volume total recuperável estimado inicialmente pela companhia do empresário Eike Batista. Tubarão Martelo é, atualmente, o principal ativo da OGX e tem previsão de iniciar produção neste trimestre.

Em fato relevante nesta manhã, a OGX informou que Tubarão Martelo, originário dos blocos BM-C-39 e BM-C-40, na Bacia de Campos, possui reserva provável de 87,9 milhões de barris óleo equivalente (boe) e possível de 108,5 milhões de boe, de acordo com relatório da consultoria Degolyer & McNaughton. A reserva provável é quando a empresa identifica indícios de que há 50% de chance do óleo ser comercialmente viável, enquanto as possíveis só apresentam 10% de probabilidade. A consultoria, porém, não encontrou nenhuma reserva provada, ou seja, que tenha mais de 90% de chance de ser comercializável. O que foi encontrado são apenas indícios.

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Em abril do ano passado, a OGX declarou comercialidade dos blocos em águas rasas com estimativa de “um volume total recuperável de 285 milhões de barris de petróleo deste campo ao longo do período de concessão da fase de produção”. “Não temos o que comemorar, o volume é bem menor do que o informado inicialmente”, afirmou uma analista de banco de investimento, sob condição de anonimato.

Esta não é a primeira vez que as reservas estimadas pela empresa se mostram supervalorizadas. Em junho do ano passado, a reviravolta na credibilidade do empresário se deu quando as estimativas de produção dos campos da OGX foram revisadas de 40 mil barris de petróleo por dia para 5 mil barris diários. As expectativas – atual e anterior – também haviam sido feitas pela consultoria Degolyer & McNaughton, renomada no setor de óleo e gás.

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A OGX está tentando um acordo para vender 40% de sua participação em dois blocos da bacia de Campos para a malaia Petronas por 850 milhões de dólares, mas o acordo depende da reestruturação da dívida da companhia e ainda não foi fechado. “Acho que é por isso que a Petronas pode desistir da área, percebeu que o volume era menor que o comunicado inicialmente”, afirmou o economista Aurélio Valporto, representante de um grupo de 70 acionistas minoritários da OGX.

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Até o fim do segundo trimestre, a OGX havia perfurado seis poços produtores horizontais em Tubarão Martelo. Nesta quinta-feira, ela disse que as informações sobre reservas dos campos operados por parceiros serão divulgadas oportunamente.

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Calote – Os sucessivos fracassos na campanha exploratória da OGX, que já foi considerada o ativo mais precioso do grupo de empresas de Eike, deixou a petroleira em situação crítica de caixa.

Na terça-feira, a OGX optou por não pagar 45 milhões de dólares em juros sobre bônus no exterior, no primeiro passo do que pode se tornar o maior calote da história por uma empresa latino-americana.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou o a nota de classificação de risco da OGX de “CCC-” para “D”, afirmando que o não pagamento dos juros “sinaliza um default (calote) generalizado e que a empresa reestruturará sua dívida”.

“O contrato dos bônus no exterior garante à companhia 30 dias para efetuar o pagamento sem que seja penalizada. No total, apenas em bônus no mercado internacional a OGX tem dívida de 3,6 bilhões de dólares.

A petroleira contratou como assessores o banco Lazard e o grupo de investimentos Blackstone para coordenar as discussões com os detentores de bônus, enquanto revisa sua estrutura de capital e plano de negócios.

(com agência Reuters)

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