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Rei da noite paulistana, Facundo Guerra busca refúgio nas casas modulares

Com casas de shows fechadas, empresário abre uma nova unidade do Altar, na reserva Legado das Águas, da Votorantim; objetivo é faturar R$ 5 mi em 2022

Por Felipe Mendes 9 ago 2021, 13h18

Quem deseja saber mais sobre o argentino radicado no Brasil Facundo Guerra, logo notará sua identificação com a cidade de São Paulo. Para uns Guerra é o “rei da noite”. Para outros, é o “dono” da metrópole mais pulsante do país. Fundador do grupo Vegas, que trouxe à cena casas de shows, boates e bares como Z Carniceria, Lions Nightclub, Yacht, Cine Joia, Riviera, Bar dos Arcos e a versão brasileira do Blue Note, ele virou um sinônimo de celebração na vida noturna da cidade. Por seu trabalho de revitalização (palavra que ele odeia) de pontos históricos no centro de São Paulo, como o Mirante 9 de Julho, recebeu das mãos de vereadores, em 2019, o título de Cidadão Paulistano. Mas, hoje, em tempos de Covid-19, ele não quer mais folia. Com casas de shows fechadas e sem previsão para reabertura, Guerra tem dedicado seu tempo a um novo negócio, chamado Altar, que, curiosamente, aposta no sossego e no bem estar mental como principais fontes de renda.

Criado em 2019, o projeto é inspirado nas “tiny houses” (micro casas em contato com a natureza), um movimento que ganhou força nos Estados Unidos na última década, quando as pessoas partiram em busca de um refúgio para o estresse do cotidiano das grandes metrópoles. Depois de amadurecer a ideia anos a fio, Guerra associou-se ao publicitário Rodrigo Martins e a startup de design SysHaus para azeitar o modelo. Desde o início de 2020, quando lançou a primeira unidade, já são quatro casas modulares, que demandaram um investimento aproximado de 1 milhão de reais. “São casas autossustentáveis e isoladas na natureza, que não tem dependência de infraestrutura de esgoto, água ou luz”, explica Guerra.

Altar
A unidade Altar Prainha, em Joanópolis (SP): objetivo é ter 50 casinhas até o fim de 2022 – -/Divulgação

Lançada no início de 2020, a primeira casa, de 64 metros quadrados, fica sobre as águas da Represa de Piracaia, interior de São Paulo, cujo acesso se dá por meio de bote elétrico – a unidade demandou um aporte de 500 mil reais. Em janeiro deste ano, Guerra e seus sócios lançaram o Altar Prainha, em Joanópolis, ancorada em terra firme e com acesso a uma praia privativa. Cada projeto conta com tecnologia e energia gerada a partir de painéis solares, com decoração de móveis da Westwing, enxoval da Trousseau e utensílios de cozinha da Le Creuset. Uma nova unidade, instalada na reserva Legado das Águas, no Vale do Ribeira, também no interior de São Paulo, será lançada em agosto. “Queremos chegar a 20 casinhas até o fim do ano que vem. A ideia é ir para o Brasil inteiro”, afirma. O intuito dos sócios é que o negócio fature 5 milhões de reais em 2022.

O empresário admite que a necessidade de isolamento social ocasionada pela Covid-19 colocou o Altar em outro patamar. Mesmo com diárias acima da faixa de 1.200 reais, há uma grande fila de espera para 2022. “A gente começou a fazer esse projeto antes da pandemia. Por uma infelicidade, aconteceu que ele ganhou muita relevância, porque, com essa tragédia que o mundo está passando, tudo o que as pessoas mais querem é se isolar na natureza”, diz. Nessa linha, ele admite que não faz esforço para reabrir suas casas noturnas enquanto a população do estado de São Paulo não estiver completamente vacinada para Covid-19. “Não há uma justificativa moral para abrir uma boate se todo mundo não estiver vacinado. Não podemos nos esquecer que não é hora para celebrar. Estamos num momento de reabertura com cuidado, tentando entender o que vai acontecer depois deste coma que tem sido a pandemia.” Enquanto isso, a receita está no sossego.

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