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Ressarcimento dos CDBs do Will pelo FGC muda conforme a data de aquisição pelo investidor; entenda

Data de aporte no ativo será decisiva para indenizações acima de 250 mil reais ao somar CDBs do Master e Will Bank

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jan 2026, 14h55 • Atualizado em 22 jan 2026, 14h11
  • O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou que o pagamento dos Certificados de Depósito Bancários (CDBs) do Will Bank deve seguir um padrão diferenciado a depender da data de compra do título pelo investidor, mostra nota enviada à Veja nesta quarta-feira, 21.

    Segundo o comunicado, investidores que aportaram no CDB do Will Bank até o dia 30 de agosto de 2024 e também tinham CDBs do Banco Master terão cobertura de até 250 mil reais para cada ativo, ou seja, a cobertura total de ambos somados pode chegar a 500 mil reais. Já as pessoas que investiram nos CDBs do Will Bank  a partir do dia 1º de setembro 2024 e também possuíam CDBs do Master terão a garantia de até 250 mil para os dois ativos.

    A data marca a compra do Will Bank pelo Banco Master. Como os dois bancos passaram a pertencer ao mesmo conglomerado a partir de agosto de 2024, a cobertura do FGC se unifica em 250 mil reais para ambos.

    De forma prática, caso a pessoa tenha comprado o CDB do Will Bank depois de 1° de setembro de 2024 e já tenha recebido o valor limite da garantia de 250 mil reais na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC. Valores acima de 250 mil, somando Will e Banco Master, só serão pagos para quem comprou o CDB do Will Bank até o dia 30 de agosto de 2024.

    Segundo o FGC, por conta das especificidades de cada liquidação, não existe prazo legal para o início dos pagamentos. Como sempre acontece, os times operacionais do FGC empreenderão os maiores esforços para concluir a consolidação das informações no menor tempo possível.

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    “A quantidade de clientes e o valor a ser pago serão divulgados após a referida consolidação das informações. Com base no Censo de Novembro de 2025, informado pela Will Financeira, o valor estimado para pagamento é de aproximadamente 6,3 bilhões de reais”, diz o fundo privado.

    Os instrumentos garantidos pelo FGC incluem, entre outros, conta corrente, poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), conforme regulamento.

    Por que o Will Bank foi liquidado pelo BC?

    O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição financeira que pertencia ao Banco Master. Segundo o BC, a decretação foi necessária após a companhia deixar de pagar a Mastercard e ter suas operações com a bandeira do cartão suspensas. Segundo a Mastercard, a medida foi aplicada para que a dívida da instituição financeira não aumentasse com a companhia.

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    Segundo dados do Banco Central, a instituição financeira encerrou o terceiro trimestre de 2025 com 14,16 bilhões em ativos. O Will Bank detinha 6,5 bilhões de reais em depósitos, os quais devem ser ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A companhia também detinha 1,2 bilhão de reais em letras financeiras e um passivo total de 14,1 bilhões de reais no terceiro trimestre de 2025.

    Embora pertencesse ao grupo do Banco Master, a decretação de liquidação da fintech não foi realizada em novembro junto com o conglomerado pelo fato de a financeira ser o único braço do grupo que dava lucro. No terceiro trimestre de 2025, o Will Bank reportou um lucro líquido de 408,3 milhões de reais, conforme dados disponíveis no site do Banco Central.

    Desde a liquidação do Master, ocorrida em novembro, diversos pontos podem ter mudado dentro da companhia, visto que o balanço mais recente disponível no site do Banco Central é de setembro de 2025. Para o BC, o não pagamento de um fornecedor crucial da companhia sinaliza que algo tenha mudado dentro da empresa.

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    “Manter a empresa parecia algo viável. No entanto, no dia 19 de janeiro de 2026, o descumprimento pela Will da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo tornou a liquidação inevitável”, diz o Banco Central em nota.

    Fundado em 2017, o Will Bank tinha como foco central do negócio proporcionar crédito para as classes D e E. A companhia, fundada em 2017, realizou a bancarização da população menos favorecida da sociedade. Em agosto de 2024, o Will Bank foi comprado pelo Banco Master. A companhia era uma das esperanças dos controladores do conglomerado para ajudar a quitar as dívidas do conglomerado, que somam 56 bilhões de reais.

    A empresa chegou a receber algumas intenções de compras recentemente, como o fundo Mubadala e a Fictor. Com a liquidação, todas as intenções caem por terra e o conglomerado Master perde uma joia preciosa para conseguir liquidar parte de sua dívida.

    Errata: O FCG havia informado originalmente que investidores que aportaram no CDB do Will Bank até o dia 21 de agosto de 2024 e também tinham CDBs do Banco Master teriam a cobertura de até 250 mil reais para cada ativo, com a proteção máxima chegando a 500 mil reais. Já as pessoas que investiram nos CDBs do Will Bank  a partir do dia 22 de agosto de 2024 e também possuíam CDBs do Master teriam a garantia de até 250 mil para os dois ativos. O FGC, no entanto, enviou uma nova nota corrigindo as datas. Segundo o fundo, os clientes que adquiriram produtos elegíveis a garantia antes da aquisição pelo Banco Master, em 30 de agosto de 2024, têm a garantia preservada. A partir de 1º de setembro de 2024, nos casos em que o cliente possua produtos em ambas as instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de 250 mil reais.

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