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Reapresentação da ‘emenda Master’ é um erro, diz especialista

Economista analisa fala do Senador Ciro Nogueira

Por Veruska Costa Donato 12 Maio 2026, 14h14 | Atualizado em 12 Maio 2026, 14h16

O vídeo do senador Ciro Nogueira (PP) nas redes sociais vai muito além da tentativa do parlamentar de se defender da investigação da polícia federal. O senador diz que vai reapresentar no Senado a chamada “emenda Master”. Segundo os investigadores da PF a proposta apresentada por Ciro em 2024 foi redigida pelo próprio banco. Na publicação, o senador diz que a garantia de 250 mil reais do FGC se corrigida pela Selic chegaria hoje a 840 mil reais. O anúncio trouxe um alerta importante: quem paga a conta no fim é o consumidor. Para o economista Reinaldo Cafeo, a ideia carrega efeitos indiretos que acabam chegando ao crédito e às taxas cobradas pelos bancos.

Não existe almoço grátis

Cafeo lembra que o FGC, criado para proteger investidores em casos de quebra bancária, é abastecido pelas próprias instituições financeiras. Na prática, porém, esse custo não fica parado dentro do sistema. “Não existe almoço grátis”, resume o economista ao explicar que os bancos incorporam essa despesa à estrutura operacional e, consequentemente, às linhas de crédito oferecidas ao mercado. O resultado seria um reajuste nas taxas de juros cobradas de empresas e consumidores, ainda que de maneira gradual.

Ferramenta comercial e eleitoral

Outro ponto criticado por ele é o uso do FGC como ferramenta comercial. Na avaliação do economista, a garantia deveria servir apenas como uma rede de proteção ao pequeno investidor em produtos como CDBs, LCIs e poupança. O problema, segundo Cafeo, surge quando essa cobertura passa a ser usada como chamariz para atrair recursos ao mercado. Ao comentar a estratégia do Banco Master, ele classificou o movimento como um desvio da finalidade original do fundo, transformando um mecanismo técnico em argumento de marketing financeiro.

BC deveria decidir

A discussão também esbarra em questões legais e institucionais. Cafeo recorda que propostas semelhantes não avançaram anteriormente porque houve entendimento de que o tema pertence à esfera do Banco Central, e não do Congresso. Para ele, o assunto exige uma análise estritamente técnica, justamente porque envolve estabilidade bancária, gestão de risco e equilíbrio do sistema financeiro. Quando a discussão ganha contornos políticos, avalia o economista, aumenta o risco de decisões tomadas mais pela pressão do momento do que pelos efeitos de longo prazo.

Ponto delicado

Na visão de Cafeo, há ainda um ponto delicado na relação entre bancos grandes e pequenos. Hoje, boa parte da sustentação financeira do FGC vem das maiores instituições do país. Caso bancos menores passem a utilizar a cobertura ampliada como ferramenta agressiva de captação, isso pode provocar uma revisão nas estratégias dos grandes bancos e até na composição do próprio fundo. Em outras palavras: a conta poderia ficar desequilibrada dentro do sistema.

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Efeito colateral

O efeito colateral, segundo ele, pode atingir justamente o investidor que o fundo pretende proteger. Se os bancos decidirem reduzir a oferta de produtos cobertos pelo FGC para escapar de custos maiores, aplicações mais tradicionais poderiam perder espaço para modalidades sem garantia. E aí mora um risco silencioso: o pequeno investidor, em busca de rentabilidade, pode acabar migrando para produtos mais arriscados sem perceber que abriu mão de uma proteção importante.

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