ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Real bate moedas de países em guerra e crise econômica e lidera queda frente ao dólar em 2024

Desconfiança de investidores estrangeiros sobre as contas públicas e juros altos nos Estados Unidos castigaram o real frente ao dólar

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 dez 2024, 10h47 • Atualizado em 31 dez 2024, 10h54
  • O real foi a moeda com a maior desvalorização frente ao dólar em 2024, segundo levantamento da Elos Ayta. Entre as 27 moedas analisadas pela consultoria, apenas o dólar de Hong Kong conseguiu terminar o ano mais valorizada em relação à moeda americana, com uma pequena alta de 0,51%. Já o real perdeu 21,82%, quando se considera o dólar PTAX Venda, calculado diariamente pelo Banco Central (BC) e usado como referência pelo mercado para liquidação de operações financeiras como contratos futuros e de derivativos.

    Segundo a Elos Ayta, o desempenho do real foi o terceiro pior, em termos nominais, desde 2010. A queda registrada em 2024 só perde para a desvalorização de 31,98% vista em 2015, quando a então presidente Dilma Rousseff começava a enfrentar os sérios problemas políticos e econômicos que culminaram em seu impeachment no ano seguinte, e para a queda de 22,44% verificada em 2020, no auge da pandemia de covid-19.

    A consultoria lembra que, desde 2010, o real apanhou sistematicamente do dólar e só registrou valorização em quatro anos: 2010, 2016, 2022 e 2023. “Nos últimos dois anos, em particular, o desempenho positivo estava ligado a fatores como o aumento das exportações e a manutenção de taxas de juros atrativas no Brasil, o que favoreceu o ingresso de capitais estrangeiros”, diz a Elos Ayta.

    A expressiva queda do real em 2024 reflete fatores já conhecidos. No âmbito doméstico, a moeda catalisou o mau humor do mercado com a deterioração da dívida pública e a pouca disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ala política de seu governo de apresentar um ajuste contundente das contas, capaz de reverter a trajetória de alta do endividamento.

    No ambiente internacional, a taxa de juros dos Estados Unidos encontra-se em patamares historicamente altos para os padrões americanos. Mesmo após o Federal Reserve iniciar um novo ciclo de cortes em setembro, os fed funds, como é conhecida a taxa básica de juros do país, terminaram o ano na faixa de 4,25% a 4,5%.

    Continua após a publicidade

    Além disso, o início do segundo mandato do republicano Donaldo Trump na Casa Branca, em janeiro, leva parte do mercado a apostar na manutenção dos juros pelo Fed. Alguns já cogitam uma reversão da política monetária rumo a nova altas, diante das medidas anunciadas por Trump e que podem pressionar a inflação, como a imposição de sobretaxas de importação para diversos produtos.

    Sem motivos para confiar no Brasil e com os títulos americanos ofertando taxas mais altas, os investidores internacionais passaram o ano zerando posições no mercado verde-amarelo. Para se ter uma ideia, os estrangeiros retiraram mais de 30 bilhões de reais da Bolsa brasileira neste ano. Junto com a remessa de dividendos por filiais de multinacionais para suas matrizes, a grande demanda por dólares catapultou a cotação. Nem mesmo as intervenções do BC no mercado à vista e em contratos de linha com promessa de recompra conseguiram conter a desvalorização do real.

    Com isso, a moeda brasileira conseguiu ser o destaque negativo global, batendo divisas de países que, em tese, apresentam problemas bem piores. A Argentina de Javier Milei, por exemplo, que sofre com uma década de déficits primários, inflação anual de 166% e medidas draconianas de cortes de gastos públicos que puseram 51% dos argentinos na pobreza, viu o peso cair 21,7%. Já a Rússia de Vladimir Putin, alvo de sanções internacionais desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, registrou uma desvalorização de 19,23% do rublo neste ano.

    Continua após a publicidade

    Veja o ranking das moedas que mais perderam valor diante do dólar em 2024, segundo a Elos Ayta.

    País Moeda Variação frente ao dólar
    Brasil Real (Dólar Ptax) -21,82%
    Argentina Peso Argentino -21,70%
    Rússia Rublo -19,23%
    Brasil Real (Dólar Comercial) -19,15%
    México Peso Mexicano -17,51%
    Turquia Lira -16,47%
    Colômbia Peso Colombiano -13,17%
    Coreia do Sul Won -12%
    Chile Peso Chileno -10,84%
    Noruega Coroa Norueguesa -10,15%
    Japão Iene -10,05%
    Austrália Dólar Australiano -8,70%
    Suécia Coroa Sueca -8,43%
    Canadá Dólar Canadense -7,64%
    Suíça Franco Suíço -6,67%
    Taiwan Dólar Taiwanês -6,23%
    Dinamarca Coroa Dinamarquesa -5,86%
    Zona do Euro Euro -5,21%
    Indonésia Rúpia Indonésia -4,93%
    Filipina Peso Filipino -4,25%
    China Yuan -3,01%
    África do Sul Rand -2,66%
    Índia Rúpia Indiana -2,59%
    Israel Novo Shekel -1,37%
    Inglaterra Libra Esterlina -1,25%
    Peru Sol -0,67%
    Arábia Saudita Rial Saudita -0,18%
    Hong Kong Dólar de Hong Kong +0,51%

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).