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Quem é João Carlos Mansur, da Reag, alvo de duas operações da PF

O empresário fundou a gestora, em 2012, que hoje está no centro de investigações envolvendo banco Master e lavagem de dinheiro de facções criminosas

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 jan 2026, 13h20 • Atualizado em 15 jan 2026, 13h37
  • A liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, decretada pelo Banco Central nesta semana, colocou definitivamente sob os holofotes João Carlos Mansur, um empresário que hoje se encontra no epicentro de duas das mais relevantes investigações recentes sobre o uso de estruturas financeiras no país. Primeiro, na Operação Carbono Oculto; agora, nos desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master.

    Fundador da Reag em 2012, Mansur sempre cultivou o perfil de operador técnico e discreto. Formado em ciências contábeis, com MBA pela FGV, apresentou-se ao mercado como especialista em veículos pouco acessíveis ao investidor comum, como FIDCs, FIIs e FIPs. A complexidade virou diferencial competitivo. A gestora cresceu rapidamente, ganhou escala e passou a administrar uma ampla rede de fundos – hoje no centro das investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de fraudes em operações estruturadas envolvendo o Banco Master.

    Para os investigadores, a Reag não aparece como um agente periférico, mas como um elo relevante da engrenagem financeira sob escrutínio. As suspeitas recaem sobre operações encadeadas, de baixa transparência, com fragilidades de governança e rentabilidades consideradas incompatíveis com parâmetros razoáveis de mercado. Em ao menos um caso citado nos autos, o retorno declarado ultrapassou a casa dos milhões por cento em um único ano. Um número que, segundo técnicos, acendeu alertas máximos nos órgãos de controle.

    Essas apurações se somam à Operação Carbono Oculto, deflagrada no ano passado, que investiga um amplo esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado, com ramificações no setor de combustíveis e no mercado financeiro. A Reag foi uma das instituições alcançadas pela operação, sob suspeita de administrar fundos usados para ocultar e movimentar recursos de origem ilícita. Em setembro, após ser alvo de buscas nessa investigação, Mansur anunciou a venda do controle da gestora e deixou a presidência do conselho.

    Desde então, iniciou um processo de esvaziamento institucional: desligou-se de cargos estratégicos em sequência, num movimento interpretado no mercado como tentativa de conter o desgaste reputacional. A decisão do Banco Central, no entanto, indica que a crise ultrapassou o campo da imagem e atingiu o núcleo do negócio.

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    A capacidade de Mansur de transitar entre ambientes distintos sempre foi uma de suas marcas, e não se limitou ao sistema financeiro. Fora dele, construiu uma influência incomum no futebol brasileiro, outro setor historicamente marcado por estruturas frágeis de governança e baixa padronização. Tornou-se conselheiro do Palmeiras, participou da modelagem financeira do estádio do Corinthians e atuou como articulador de investimentos em clubes tradicionais como Juventus e Portuguesa.

    Nesse ecossistema, seu perfil técnico e a familiaridade com estruturas financeiras complexas lhe deram protagonismo. Para dirigentes, representava a promessa de profissionalização: alguém capaz de traduzir o vocabulário do mercado de capitais para instituições acostumadas ao improviso. Assim como nos fundos que administrava, oferecia soluções sofisticadas para problemas crônicos – muitas vezes difíceis de compreender, auditar ou supervisionar fora de círculos especializados.

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