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Queda inesperada: EUA perdem 92 mil empregos e levantam dúvidas sobre força da economia

Resultado é muito pior que o esperado; pressão recai sobre o Federal Reserve em meio a inflação moderada e alta do petróleo

Por Ernesto Neves 6 mar 2026, 18h02 • Atualizado em 6 mar 2026, 19h35
  • A economia dos Estados Unidos perdeu 92 mil empregos em fevereiro, um resultado inesperadamente negativo que reacendeu preocupações sobre a solidez do mercado de trabalho do país e colocou novos desafios para a política monetária americana.

    Os dados foram divulgados pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão responsável pelas estatísticas trabalhistas do governo americano.

    O resultado contrasta fortemente com as previsões de economistas consultados pela Bloomberg, que esperavam a criação líquida de cerca de 55 mil vagas no período.

    A retração praticamente anulou o desempenho positivo de janeiro, quando haviam sido criados 126 mil postos de trabalho. Com isso, a taxa de desemprego voltou a subir e atingiu 4,4% da força de trabalho.

    O desempenho reforça a percepção de que o mercado de trabalho dos Estados Unidos atravessa um período de fragilidade.

    Ao longo de 2025, a economia americana gerou em média apenas 10 mil empregos por mês, o ritmo mais fraco registrado fora de períodos de recessão em mais de duas décadas.

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    Para analistas, o relatório coloca em xeque a ideia de que a economia havia entrado em uma trajetória mais consistente de recuperação.

    A queda nas contratações foi liderada pelo setor de saúde, impactado por greves de profissionais médicos em estados como Nova York, Califórnia e Havaí. O setor de tecnologia também registrou cortes de empregos, enquanto demissões no governo federal continuaram a ocorrer.

    Outro sinal de fraqueza veio das revisões estatísticas. O BLS reduziu significativamente os números de contratações divulgados anteriormente para os dois meses anteriores, cortando um total de 69 mil vagas nas estimativas iniciais.

    Para alguns economistas, isso indica que a economia americana está mais vulnerável do que parecia.

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    A reação inicial dos mercados financeiros foi imediata.

    Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano caíram logo após a divulgação do relatório, refletindo a expectativa de que a atividade econômica possa desacelerar e pressionar o banco central a reduzir juros. Pouco depois, no entanto, parte desse movimento foi revertida.

    O rendimento dos títulos de dois anos, particularmente sensível à política monetária, ficou praticamente estável em torno de 3,59%.

    Nos mercados futuros, investidores continuam apostando que o banco central poderá cortar juros uma ou duas vezes ainda em 2026, mas agora com expectativa de que o primeiro movimento ocorra apenas em setembro.

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    Antes da divulgação dos dados, a previsão predominante era de uma redução já em julho.

    A situação coloca o Federal Reserve diante de um dilema. O banco central tenta sustentar o crescimento e o emprego sem permitir que a inflação volte a acelerar.

    Nos últimos meses, o avanço dos preços parecia dar algum alívio. A inflação anual nos Estados Unidos caiu para 2,4% em janeiro, aproximando-se da meta do banco central.

    No entanto, a escalada recente do petróleo, provocada pela guerra no Oriente Médio, ameaça pressionar novamente os custos de energia e de bens de consumo.

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    O presidente do Fed, Jerome Powell, já sinalizou que a autoridade monetária não tem pressa para reduzir juros novamente após três cortes realizados no ano passado.

    A nova rodada de dados, porém, pode tornar as decisões mais complexas nas próximas reuniões do comitê de política monetária.

    O cenário também tem implicações políticas. O presidente Donald Trump tenta convencer eleitores de que suas políticas econômicas estão fortalecendo a economia americana antes das eleições legislativas de novembro.

    A Casa Branca tentou minimizar o impacto do relatório. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, afirmou que os dados foram uma surpresa, mas ressaltou que a média de criação de empregos ao longo de alguns meses continua dentro do esperado.

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    Alguns analistas também pedem cautela na interpretação dos números.Outros indicadores do mercado de trabalho continuam relativamente sólidos.

    Os pedidos semanais de seguro-desemprego permanecem abaixo de 215 mil, patamar considerado historicamente baixo, e indicadores da atividade nos setores de manufatura e serviços ainda apontam expansão.

     

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