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Protestos e eleições testarão quadro fiscal do país, diz S&P

Em relatório emitido nesta segunda-feira, agência de classificação de risco diz que Brasil enfrenta novos desafios mesmo sem ter resolvido antigos problemas

Por Da Redação - 5 ago 2013, 18h02

Ainda sem ter conseguido resolver velhos problemas econômicos, o Brasil enfrenta novos desafios. A avaliação é da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P). “A nova classe média está aumentando a pressão por demandas que incluem a inflação baixa, melhores serviços públicos, infraestrutura e habitação”, afirma a S&P, ao lembrar dos protestos que ganharam as ruas do país desde junho. Entre os principais desafios, a agência diz que o aumento do investimento na economia surge como uma das necessidades mais urgentes.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, a S&P descreve que “os principais impedimentos para o aumento do investimento do setor público e privado estão no cerne dos problemas que o Brasil terá de resolver em período de cinco a dez anos para continuar seu processo de desenvolvimento econômico sustentável”.

Um dos exemplos da permanência dos velhos problemas é o setor público: “Há décadas, existe dificuldade em se reformar o setor público, que continua a ser mais um obstáculo que um instrumento de dinamização da economia”. A agência reconhece que a dívida externa e o custo da dívida pública “diminuíram significativamente” ao longo dos últimos 14 anos. “No entanto, a dívida líquida do governo continua elevada. Durante décadas, o Brasil não conseguiu reformar amplamente o sistema previdenciário ou a estrutura tributária.”

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Mesmo sem ter resolvido a “velha pauta”, o Brasil tem agora outra lista de prioridades. “Como as enormes manifestações de junho mostraram, o governo não está conseguindo atender às expectativas da população. Em grande medida, essa nova classe média está enfrentando uma infraestrutura do Brasil antigo, destinada a um tipo diferente de estrutura social”, diz o documento, que cita que a reforma do setor público “é fundamental” para que sejam criadas condições para a solução do problema.

Para resolver a infraestrutura, o investimento terá de ser realizado com atenção à questão fiscal, adverte a S&P. “O aspecto crítico será lidar com os desafios novos e antigos e encontrar soluções que sejam consistentes com um caminho sustentável a médio e longo prazo”, declara o texto. “Tal como no passado, uma abordagem sustentável de longo prazo é aquela que mantém a estabilidade econômica, limitando políticas inconsistentes e impulsionando o investimento do setor público e privado.”

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Crescimento – A agência jogou ainda um balde de água fria nas perspectivas para a expansão econômica brasileira nos próximos anos. Ao lembrar que anos atrás o país era “comparado a economias de rápido crescimento como Índia e China”, a agência diz que o quadro mudou e o crescimento “modesto” deve se repetir pelos próximos três anos, quando o País deve crescer a uma média de 2,6% ao ano. Para 2013, a agência prevê expansão de 2%.

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“O Brasil deve ter o terceiro ano de crescimento econômico modesto. E nós não esperamos que as perspectivas de crescimento mudem muito ao longo dos próximos três anos”, destaca o relatório Brasil Diante de Velhos e Novos Desafios, assinado pelo analista da agência Sebastian Briozzo.

Para a S&P, o fraco desempenho da economia brasileira tem várias razões. “Reflete o desempenho modesto das exportações e o declínio do investimento do setor privado, em parte causado pelos sinais ambíguos da política do governo, o que tem reduzido a confiança dos investidores”, aponta o documento. No lado da demanda, o consumo dá sinais de cansaço. “Os gastos das famílias também podem desacelerar ainda mais pelo endividamento do consumidor.”

Na visão da agência que avalia o risco de países e empresas, um dos problemas gerados pelo dinamismo menor é o “enfraquecimento” do quadro fiscal, o que inclui a deterioração dos resultados das contas públicas e um aumento do peso da dívida pública.

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(Estadão Conteúdo)

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