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Protesto na Barra teve mais black blocs que petroleiros

Distante dos sindicalistas, manifestação repetiu quebra-quebra e terminou antes do anúncio do resultado do leilão do pré-sal. Mascarados migraram para o Centro, onde há até ameaça de invasão à sede da ANP

Com mais black blocs que petroleiros – e com pelo menos um quarteirão de separação entre os dois grupos – o protesto desta segunda-feira na Barra da Tijuca serviu mais para os mascarados cumprirem agenda. O desfecho foi quase tão previsível quanto o resultado do primeiro leilão do pré-sal, com a mesma mistura de pedras, lixeiras, fogo e ataques à imprensa, de um lado, e de bombas de gás e balas de borracha do outro. Talvez frustrados pela forma como funcionou o volumoso contingente militar ao redor do Hotel Windsor, os mascarados rumaram para o Centro, onde o risco de invasão à sede da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mobilizou autoridades de segurança.

Com mais de mil homens engajados no cordão de isolamento ao hotel, e ajudados pela baixa adesão à convocação para o protesto, o esquema de segurança foi bem-sucedido. Os embates começaram por volta das 10h40 e se estenderam, de forma quase ininterrupta, até perto das 15 horas. Foi tempo suficiente para o grupo de cerca de 200 mascarados e manifestantes radicais – alguns de cara limpa – arrancar tapumes, queimar lixeiras, atirar centenas de pedras portuguesas e até tombar um carro da Rede Record.

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O “inimigo” dos mascarados, desta vez, era outro: foi a Força Nacional quem ficou na linha de frente, com avanços e recuos estratégicos, reagindo às investidas de grupos de mascarados. Os black blocs também parecem ter criado uma tática de guerrilha mais aprimorada. Enquanto mascarados com compleição mais frágil transportam pedras para o local onde uma dezena de manifestantes está entrincheirada, outros promovem ataques diversos, confundindo o policiamento. É aí que surge um rompante, com essa ‘tropa de choque’ caminhando ou correndo como se fosse romper a barreira de segurança. Nesse vai e volta, surgem balas de borracha e pedradas a perder a conta.

Pouca gente – ou talvez ninguém – estava preocupada com o resultado ou o formato do leilão. E a prova disso é que nenhum deles ficou para esperar o anúncio do que havia acontecido dentro do hotel. Quando foi entregue a única proposta para o campo de Libra, a massa dos manifestantes já havia debandado. Afinal, estavam longe do segundo ato programado para o dia, no Centro.

O pitoresco do protesto desta manhã foi justamente a forma isolada como os black blocs atuaram. A primeira barreira de militares ficou na altura da Praça do Ó, na Barra da Tijuca. A uma quadra dali, foi posicionado um carro de som, com cerca de 100 sindicalistas e petroleiros – ou seja, um terço apenas do total de manifestantes, já que os outros 200 estavam empenhados no enfrentamento. Na praia, mesmo junto ao cordão de isolamento, continuou o movimento de banhistas e gente que pratica esportes na orla, apesar da presença dos homens de preto, com escudos e capacetes.

Uma família de Mesquita que estava no local desde o início da manhã, aproveitando a folga do Dia do Comércio, foi orientada por homens da FNS a não permanecer no local. Mesmo assim, Rose da Fonseca, de 44 anos, e Lúcio Torres, de 49, não abriram mão de permanecer na praia. “O vento está do mar para a terra, o gás lacrimogêneo não chega aqui”, disse Torres, para justificar sua decisão de passar o dia com uma filha e duas sobrinhas na faixa de areia próxima ao Windsor.

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