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Protecionismo chega aos copos da Starbucks argentina

Rede de cafeterias pede desculpas por utilizar copos nacionais sem o logo da 'sereia' e causa a ira dos argentinos

“Queremos pedir desculpas, pois, devido a uma falta temporária de estoque, algumas de nossas lojas estão utilizando copos e tampas de fabricação nacional. São copos de cor branca e do mesmo tamanho que se oferece regularmente”. Assim se iniciava um comunicado feito pela rede Starbucks em sua página de Facebook para explicar aos consumidores argentinos o porquê da mudança repentina nas embalagens de seus famosos cafés. Sem estoque de copos convencionais devido às barreiras impostas pelo governo de Cristina Kirchner para importação, a rede teve de improvisar a fabricação local de produtos sem a logomarca da empresa.

O comunicado provocou debate nas redes sociais. A empresa foi duramente criticada em seus perfis na rede de microblogs Twitter e no Facebook por ter “descriminado os copos argentinos”, como citaram diversos usuários. Frases como “fora ianques” ou “fabriquem todos os copos aqui” eram esmagadora maioria em comparação àquelas que criticavam as medidas protecionistas da Casa Rosada na página da companhia no Facebook. “Se os copos de produção nacional incomodam vocês, saiam da Argentina”, bradava outro internauta, que figurava entre os mais respeitosos da discussão. No Twitter, as hashtags #labandadelStarbucks e #pedimosdisculpas, que protestavam contra a Starbucks, foram as mais usadas na Argentina entre segunda e terça-feira.

O resultado do comunicado da marca fez com que o gerente-geral da empresa no país, Diogo Paolini, recorresse à imprensa para dar explicações. “Mais de 70% dos produtos que usamos são de origem nacional. O que ocorreu foi um erro de redação do comunicado”, disse o executivo, ao tentar tirar a culpa do decreto argentino que retirou os produtos importados das prateleiras.

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Restrições – Desde maio, o governo argentino acompanha de perto todas as negociações do país com o exterior – desde a compra de dólares para viagens até a importação de alimentos. O protecionismo tem se mostrado a principal marca do governo Kirchner, depois que a presidente decidiu controlar as compras externas por meio de licenças que burocratizam ainda mais as relações com outros países, inclusive com membros do Mercosul. Em abril, o governo argentino expropriou a petrolífera espanhola YPF, uma das principais empresas do setor no país, sob o argumento de que a empresa investia pouco em território argentino.

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