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Produtores argentinos pedem cancelamento de festival de vinho

Sem ajuda governamental e com condições de mercado adversas, pequenos produtores afirmam que não terão dinheiro para plantar para próxima safra

O tradicional festival de vinhos Fiesta de la Vendimia pode não acontecer neste ano. Isso se a prefeitura de Mendoza (Argentina) acatar o pedido de cinco mil pequenos produtores de uvas, enólogos e trabalhadores das vinícolas que protestaram nesta semana contra o abandono do governo e os danos que a situação econômica argentina está lhes causando. Tratores percorreram as ruas da capital da província de Mendonza, manifestantes gritavam e faziam sinais pedindo o cancelamento do festival e, por fim, vinho foi derramado sobre os degraus da prefeitura, de acordo com o site Business Insider.

Eles alegam que o governo de Cristina Kirchner não cumpriu a promessa de ajudar com 50 milhões de pesos argentinos (15,24 milhões de dólares) o Mendoza Fiduciary Trust, associação local que compra o excesso de estoque para estancar a queda do preço, especialmente o destinado à exportação.

Entre as dificuldades que o segmento de vinhos argentino vem passando está a inflação elevada, o aperto de crédito, a intervenção governamental no câmbio e na contabilização de lucros das exportações, além do próprio enfraquecimento das vendas ao exterior. Em 2013, as exportações caíram pela primeira vez em uma década, ao passar de 918 em 2012 para 866 milhões de dólares. A estimativa para 2014 é ainda pior: 823 milhões de dólares. O mercado local, porém, não cresce em ritmo suficiente para compensar essa queda.

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Os custos de produção do vinho subiram na casa de 80% nos últimos quatro anos – puxados, por exemplo, pelo aumento de preço de garrafas e barris. Para complicar ainda mais a vida dos empresários do setor, o governo argentino exige que a contabilidade da receita obtida com as exportações seja pelo câmbio oficial. Se um produtor de vinhos vender 100 garrafas a 15 dólares no mercado internacional, os 1.500 dólares de faturamento serão convertidos para 12.750 pesos argentinos pelo câmbio oficial (8,50 pesos por dólar). Mas, se a conversão se baseasse no câmbio paralelo (13,50 pesos/dólar) ele ganharia 20.250 pesos argentinos pela comercialização das mesmas garrafas.

Vale lembrar ainda que, na quinta-feira, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), ligado ao governo de Cristina, apurou que a inflação da Argentina foi de 23,9% em 2014. Há, porém, economistas que contestam esses números e acreditam que o aumento de preços foi maior do que o oficialmente divulgado, entre 35% e 39%.