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Primeiro aumento da gasolina em 2022 indica ano com novo patamar de preço

Para Adriano Pires, especialista em energia, gasolina pode terminar este ano ainda mais cara que 2021, devido a alta do petróleo e pressão do câmbio

Por Luisa Purchio Atualizado em 11 jan 2022, 19h46 - Publicado em 11 jan 2022, 13h07

No início da tarde desta terça-feira, 11, a Petrobras anunciou um novo reajuste nos preços dos combustíveis, o primeiro desde outubro do ano passado. O anúncio dá sequência à política de paridade internacional e corrige os preços no mercado brasileiro que estavam defasados em relação às altas no mercado internacional. A partir de quarta-feira, 12, o preço médio da gasolina da Petrobras subirá de 3,09 reais para 3,24 reais por litro, enquanto o diesel subirá de 3,34 reais para 3,61 reais. A alta nos combustíveis foi uma das grandes responsáveis pela inflação de 2021 — que acumulou alta de 10,06% — e esse novo reajuste da estatal mostra que o problema do preço dos combustíveis não ficou para trás.

Em entrevista a VEJA, Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), considerado um dos maiores especialistas do país em energia, afirmou que o preço do petróleo deve terminar o ano de 2022 mais alto que em 2021 e poderá chegar a 90 ou 100 dólares – no começo deste ano o petróleo Brent (ICE) já estava a 78,98 dólares, 52,4% acima dos 51,80 dólares no início de 2021. A análise vai ao encontro ao projetado por diversas instituições financeiras mundiais.

Entre os principais motivos desta alta, está o contínuo crescimento econômico mundial e novas altas na cotação do dólar em relação ao real em 2022. “O câmbio não vai ceder em um ano com uma eleição tão polarizada, isso cria uma instabilidade muito grande na economia, com mais inflação e instabilidade do real frente ao dólar”, diz ele. “Além disso, a ômicron não parece ser uma variante letal e se não aparecer outra variante haverá um certo crescimento econômico em 2022.”

A falta de oferta de petróleo nos principais produtores mundiais pode agravar ainda mais a situação global. “Os estoques da Opep estão acabando, estamos tendo uma quebra de cadeia de produção e ela não tem interesse em baratear o barril. Os Estados Unidos poderiam ajudar com mais petróleo, mas em 2020 o país parou de produzir. Como esta é uma produção demorada ele só conseguiria retomar no segundo semestre de 2023”. Nesta conta, há ainda os conflitos geopolíticos, como as ameaças de invasão da Ucrânia pela Rússia e as questões nucleares do Irã.

Em 1979, o mundo viu o segundo choque de petróleo mundial, consequência da diminuição da produção de barris devido à Revolução Iraniana. A falta do produto desencadeou uma enorme inflação e, para conter os preços, o então presidente do Federal Reserve Bank, Paul Volcker, subiu os juros americanos para 20%, o que levou a um desastre geral na economia mundial.

A situação vivida na atualidade é semelhante, mas em menores proporções. Durante a pandemia da Covid-19, os maiores fabricantes de petróleo diminuíram a produção de barris devido à baixa demanda durante os lockdowns. Agora, no entanto, com a retomada da economia, os países vivem os efeitos inflacionários da pressão da demanda sobre a oferta, e por isso o Fed se prepara para fazer três altas de juros ainda este ano para conter a alta de preços na economia.

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