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Prévia da inflação já passa de dois dígitos no acumulado de 12 meses

IPCA-15, do IBGE, subiu 1,14% em setembro, a maior alta para o mês desde o início do plano real, em 1994; em doze meses, índice está em 10,05%

Por Larissa Quintino Atualizado em 24 set 2021, 19h41 - Publicado em 24 set 2021, 09h34

A pressão inflacionária, que corrói o poder de compra da população e pressiona a alta dos juros, continua a escalar em setembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, foi de 1,14% no mês, maior resultado para o mês desde o início do Plano Real, em 1994, quando ficou em 1,63%. Com isso, o indicador acumula alta de 7,02% no ano, e nos últimos 12 meses já ultrapassa os dois dígitos, atingindo 10,05%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 24, pelo IBGE.

A alta dos preços está disseminada, mas dois itens em especial pressionam mais: a gasolina e energia elétrica. Ambas tiveram o maior impacto individual no índice, ambos com 0,17 ponto percentual (pp). Por grupos, as maiores influências vieram de transportes, com alta de 2,22% e impacto de 0,46 ponto percentual; alimentação e bebidas, (1,27% e 0,27 pp); e habitação (1,55% e 0,25 pp).

Nos transportes, a alta dos combustíveis (3,00%) veio acima da registrada no mês anterior (2,02%). A gasolina subiu 2,85% e acumula 39,05% nos últimos 12 meses. Os demais combustíveis também apresentaram altas: etanol (4,55%), gás veicular (2,04%) e óleo diesel (1,63%). Além disso, o grupo teve impacto da alta das passagens aéreas: o preço subiu 28,76% em setembro, também consequência do aumento da demanda.

No grupo habitação, a conta de luz continua como vilã com a variação de 3,61% na energia elétrica, embora haja desaceleração em relação a agosto (5,00%). No mês passado, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de 9,492 reais a cada 100 kWh consumidos. A partir de 1º de setembro, passou a valer a bandeira tarifária de escassez hídrica, que acrescenta 14,20 reais para os mesmos 100 kWh. Vale lembrar que o IPCA-15 capta preços das duas primeiras semanas do mês de referência e as duas últimas do mês anterior, então, nem todo o impacto da nova alta na conta de luz entrou na conta.

O outro grupo que pesou em setembro foi de alimentação e bebidas. A alimentação no domicílio acelerou de 1,29% em agosto para 1,51% em setembro, influenciada principalmente pelo valor das carnes, que subiram 1,10%. Também registraram alta os preços da batata-inglesa (10,41%), café moído (7,80%), frango em pedaços (4,70%), frutas (2,81%) e leite longa vida (2,01%).

Em relação aos índices regionais, todas as áreas pesquisadas tiveram alta em setembro. O menor resultado foi em Fortaleza (0,68%), influenciado pela queda nos preços do tomate (-14,35%), das carnes (-0,94%) e dos produtos farmacêuticos (-0,91%). Já a maior variação foi registrada em Curitiba (1,58%), onde pesaram as altas da gasolina (5,90%) e da energia elétrica (4,92%).

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