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Prévia da inflação acelera em junho com alta de energia e combustíveis

IPCA-15 ficou em 0,83% no mês, acima dos 0,44% registrados em maio; em doze meses, o indicador acumula 8,13%, muito acima do teto da inflação

Por Larissa Quintino Atualizado em 25 jun 2021, 17h49 - Publicado em 25 jun 2021, 09h38

A conta de energia mais cara continua a pressionar a inflação. Com a bandeira vermelha 2 vigente, a prévia da inflação acelerou em junho. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, ficou em 0,83% no mês, acima do 0,44% registrados em maio. De acordo com o IBGE, a maior parte da taxa é derivada da alta da conta de luz e também no combustível.

O IPCA-15 considera a variação de preços na primeira quinzena do mês de referência e na última do anterior, para indicar a variação de preços durante o período, e por isso é chamado de prévia da inflação. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,13% e, em 12 meses, de 8,13%, acima dos 7,27% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Vale ressaltar que a meta de inflação para o ano é de 3,75%, com tolerância até 5,25%, o que mostra uma aceleração acentuada. Em entrevista as Páginas Amarelas de VEJA desta semana, o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, avalia como “grave” os níveis atuais do indicador.

Na prévia, o grupo que teve maior variação foi habitação, com alta de 1,67% no mês, acima dos 0,79% em maio. No mês, a Aneel autorizou a bandeira vermelha 2, que adiciona 6,243 reais a cada a cada 100 kilowatt-hora, e em maio a cobrança adicional era de 4,169 reais. “A mudança de bandeira deve-se à crise hídrica que tem exigido o acionamento das termoelétricas, de energia mais cara”, explica o instituto.

O outro grupo com grande impacto foi o dos transportes, que acelerou 1,35% após deflação de 0,23% no mês anterior. O IBGE afirma que, embora a gasolina tenha registrado uma das menores altas do grupo, subindo 2,86%, ela tem o maior peso. No mês, outros combustíveis subiram mais. É o caso do gás veicular (12,41%), ao etanol (9,12%) e ao óleo diesel (3,53%).

Os alimentos e bebidas, grandes vilões da inflação em 2020, continuam a subir, mas em grau menor que dos outros grupos. Em junho, a alta foi de 0,41%, resultado próximo ao do IPCA-15 de maio (0,48%). De acordo com o IBGE, contribuíram para a desaceleração os recuos nos preços das frutas (-6,44%), da batata-inglesa (-9,41%), da cebola (-10,32%) e do arroz (-1,91%). Por outro lado, as carnes (1,14%) seguem em alta. Além disso, os preços do leite longa vida (2,57%) e de alguns derivados como o queijo (1,99%) também aumentaram.

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