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Com pressão geral de preços, inflação atinge pico de 9,68% em 12 meses

IPCA subiu 0,87% em agosto, puxado pelos combustíveis; índice é ligeiramente menor que em julho, mas o maior para o mês em 21 anos

Por Larissa Quintino Atualizado em 9 set 2021, 09h32 - Publicado em 9 set 2021, 09h18

A alta dos preços nos combustíveis, somada a pressão geral nos preços dos produtos do Brasil, faz com que o acumulado da inflação beire os dois dígitos no Brasil em 2021. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,87% em agosto, ligeira desaceleração em relação a junho, mas o maior valor para o mês desde 2000. Com isso, a inflação oficial acumulado nos últimos 12 meses chegou a 9,68%. Os dados são do IBGE e foram divulgados na manhã desta quinta-feira, 9.

A aceleração da inflação deve levar a mais uma alta na taxa de juros por parte do Comitê de Política Monetária, que se reúne entre os dias 21 e 22 deste mês. Com a alta nos preços, a taxa que começou o ano em 2% está em 5,25%. Em uma economia em recuperação, como é o caso da brasileira após o choque do primeiro ano da pandemia, elevar os juros e o custo do crédito tem como efeito o crescimento.

Segundo o IBGE, em agosto, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram, com destaque para os transportes, que teve a maior alta de preços. Puxado pelos combustíveis, o grupo registrou a maior variação (1,46%) no índice geral. A gasolina subiu 2,80%  no período, com novos reajustes de preços nas refinarias. Mas também houve aceleração em outros combustíveis como Etanol (4,50%), gás veicular (2,06%) e óleo diesel (1,79%).

“O preço da gasolina é influenciado pelos reajustes aplicados nas refinarias de acordo com a política de preços da Petrobras. O dólar, os preços no mercado internacional e o encarecimento dos biocombustíveis são fatores que influenciam os custos, o que acaba sendo repassado ao consumidor final. No ano, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol 40,75% e o diesel 28,02%”, disse o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida. No fim de agosto, a ANP, agência reguladora, chegou a registrar o litro da gasolina por 7 reais em pelo menos dois estados brasileiros.

A segunda maior contribuição veio de alimentação e bebidas (1,39%), que acelerou em relação a julho (0,60%). A alimentação no domicílio passou de 0,78% para 1,63% em agosto. As maiores altas foram na batata-inglesa (19,91%), no café moído (7,51%), do frango em pedaços (4,47%), das frutas (3,90%) e das carnes (0,63%). Também houve alta de preços na alimentação fora do domicílio.

Em habitação, grupo que vinha puxando os preços nos últimos meses devido aos reajustes na energia, a alta no mês foi de 0,68%. O resultado foi influenciado pela energia elétrica (1,10%), que desacelerou em relação ao mês anterior (7,88%) em que a taxa da bandeira tarifária e reajustes de concessionárias começaram a vigorar. Em setembro, entretanto, a pressão pode aumentar, já que houve reajuste de 50% no valor da bandeira tarifária 2, com o valor da cobrança extra passando de 9 para 14 reais a cada 100 kW/hora.

O grupo saúde e cuidados pessoais (-0,04%) foi o único com variação negativa, devido à queda de 0,43% nos itens de higiene pessoal. Os planos de saúde recuaram 0,10%. A pesquisa mostra ainda que todas as áreas pesquisadas tiveram inflação em agosto. O maior índice foi registrado em Brasília (1,40%), influenciado pelas altas nos preços da gasolina (7,76%) e da energia elétrica (3,67%). Já o menor resultado ocorreu na região metropolitana de Belo Horizonte (0,43%).

O IPCA se refere às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos (44.000 reais mensais) e é medido por uma cesta de consumo, atualizada a cada cinco ou dez anos. A última, atualizada em 2020, traz peso maior dos transportes, seguido pela alimentação. Assim, a inflação pode ter pesos diferentes no orçamento das famílias brasileiras e nem sempre a pressão dos preços medida pelo indicador, e sentida pelo consumidor, tem a mesma proporção.

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