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Powell não cede à pressão e fala em ‘impacto incerto’ das tarifas de Trump

Presidente do Fed diz que a inflação ainda está acima da meta e efeitos das tarifas sobre os preços podem ser duradouros

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jul 2025, 16h14 • Atualizado em 30 jul 2025, 16h15
  • O Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados pela sétima vez consecutiva nesta quarta-feira, 30, mas o verdadeiro recado não está na decisão, amplamente precificada pelos mercados, e sim nas palavras escolhidas por Jerome Powell. O presidente do banco central americano defendeu a permanência da taxa entre 4,25% e 4,5% como uma posição “modestamente restritiva” e necessária para preservar o que chamou de “equilíbrio delicado” entre emprego e inflação. A decisão segue a contragosto do presidente americano Donald Trump, que vem tecendo críticas ao Fed e pressionando pelo corte de juros.

    “A inflação ainda está rodando um pouco acima da nossa meta de 2%, mesmo quando excluímos os efeitos das tarifas”, afirmou Powell. “E o mercado de trabalho segue sólido, com uma taxa de desemprego historicamente baixa.”

    Embora os preços tenham recuado significativamente desde o pico de meados de 2022, o núcleo do índice PCE, que exclui alimentos e energia, ainda cresce a 2,7% ao ano, e os sinais de alívio são difusos. “A inflação nos serviços continua cedendo, mas as tarifas elevadas estão pressionando alguns preços de bens. Ainda não sabemos se esse impacto será pontual ou mais duradouro”, alertou.

    Powell admitiu que o crescimento econômico desacelerou – o PIB avançou apenas 1,2% no primeiro semestre, ante 2,5% no ano anterior -, mas frisou que isso ainda não configura uma economia em enfraquecimento estrutural. “É verdade que a criação de empregos diminuiu, mas o mesmo ocorreu com a oferta de mão de obra. O resultado é um mercado de trabalho em equilíbrio”, explicou.

    A maior preocupação, no entanto, está no impacto ainda incerto da nova rodada de tarifas comerciais, cujos efeitos podem escapar ao controle do banco central. “Estamos começando a ver esses custos aparecerem nos preços ao consumidor, mas ainda é cedo para saber até que ponto as empresas conseguirão repassar esse aumento”, disse. “Nosso dever é garantir que uma elevação pontual no nível de preços não se torne um problema inflacionário contínuo.”

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    Nesse contexto, a decisão de não cortar os juros, apesar da pressão crescente da Casa Branca e de parte dos mercados, é, acima de tudo, uma aposta na prudência.

    “Nos próximos meses, vamos receber uma quantidade importante de dados sobre emprego e inflação. Isso nos permitirá avaliar melhor os riscos e ajustar a política se for necessário. Mas, por ora, acreditamos que nossa posição está bem calibrada”, declarou Powell, ao reforçar que a política monetária continuará guiada por dados.

    A ausência de corte não significa que o Fed esteja cego para os riscos. Powell reconheceu que “há riscos do lado do mercado de trabalho” e que os formuladores de política estão atentos a uma possível reversão nesse front. Ainda assim, o foco segue na âncora de longo prazo: a estabilidade de preços.

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    “Ninguém sabe exatamente onde está a taxa neutra neste momento”, reconheceu. “Mas o que sabemos é que uma política ligeiramente restritiva nos permite manter o controle da inflação sem causar danos excessivos à economia. Isso é o que chamamos de eficiência na condução da política monetária.”

    Em outras palavras, o Fed sabe que errar para qualquer um dos lados – cortar cedo demais ou manter os juros altos por tempo excessivo – tem custos. Mas também sabe que o erro mais perigoso é perder a confiança do público. “Tudo o que fazemos é em serviço à nossa missão pública. E essa missão é entregar estabilidade de preços e pleno emprego – nessa ordem.”

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