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Por que a economia brasileira cresce pouco

Em dez anos, nossa economia avançou menos de 1% ao ano em média

Por Luiz Fernando Figueiredo
28 mar 2025, 06h00 • Atualizado em 28 mar 2025, 06h13
  • Há alguns dias, vi uma estatística dura: a economia do Brasil cresceu apenas 8,7% nos últimos dez anos. Isso dá bem menos que 1% ao ano em média. Entre as 20 maiores economias do mundo, estamos na penúltima posição, à frente apenas do Japão.

    Se olharmos a renda per capita, o cenário não é diferente: no período de dez anos, a do Brasil cresceu menos de 7,2%. O país apresenta um ritmo lento, mesmo em um patamar mais desenvolvido. Sendo emergente, deveria ter um potencial de crescimento maior para convergir, no longo prazo, com economias mais ricas.

    Na contramão desse baixo crescimento, o setor público gasta como poucos. O Brasil destina cerca de 35% do PIB à área pública, mas isso não se traduz em melhora da renda dos cidadãos ou no desenvolvimento de nosso país. Ainda assim, persiste a ilusão de que nosso problema é a falta de gastos sociais.

    Por décadas, ouvimos que precisamos ampliar os programas sociais, mas pouco se discute sobre sua efetividade. O Brasil carece de avaliação de políticas públicas, e, por isso, devemos questionar: quais programas realmente funcionam? Quais capacitam os cidadãos e permitem mobilidade social? Além dos gastos elevados, temos isenções fiscais que custam mais de 600 bilhões de reais ao ano. Muitas delas se tornam apenas margem de lucro de grandes companhias, retirando dinheiro da sociedade e repassando para grupos de interesse.

    Outro sintoma desse desequilíbrio é o peso dos juros. Nossa dívida já se aproxima de 80% do PIB e segue em trajetória crescente. O custo de carregar esse valor nos leva a taxas de juros elevadas, afetando toda a economia.

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    “Precisamos de lideranças razoáveis, cujo objetivo real seja melhorar o país”

    Mas o que causa esse cenário? Em resumo, más políticas públicas, em que os principais fatores são:

    1. Gastos acima da arrecadação: o déficit fiscal aumenta a dívida, gera desconfiança e eleva os juros.

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    2. Falta de foco do Estado: o governo deveria priorizar saúde, educação, segurança e estabilidade macroeconômica.

    3. Uso de estatais para ampliar gastos sociais: ineficiências e monopólios tornam os custos mais altos para toda a população.

    4. Baixa segurança jurídica: a falta de previsibilidade prejudica investimentos de longo prazo, essenciais para o crescimento sustentável.

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    O problema se agrava com tentativas de retrocesso, como a revisão do Marco do Saneamento e a da autonomia do Banco Central, que só não foram adiante por terem sido barradas pelo Congresso.

    Enquanto essas distorções persistirem, continuaremos a andar de lado, na esperança de tempos melhores. Mas, para isso, precisamos de políticas racionais e de lideranças comprometidas com o crescimento sustentável do país.

    O Brasil tem solução. O que precisamos é de gente minimamente razoável na liderança, cujo objetivo real seja melhorar o país.

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    Luiz Fernando Figueiredo é presidente do conselho de administração da gestora de investimentos JiveMauá

    Publicado em VEJA, março de 2025, edição VEJA Negócios nº 12

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