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Por que a moda do escritório aberto não funciona

Estudo de Harvard sugere que o open office diminui a comunicação entre os funcionários e piora a produtividade

É um clichê: entre em qualquer escritório de uma empresa moderninha e você vai encontrar um espaço amplo, com grandes fileiras de mesas compartilhadas e quase nenhuma parede.

Mark Zuckerberg em seu ambiente de trabalho, no Facebook. Ele compartilha a mesa com colegas

Mark Zuckerberg em seu ambiente de trabalho, no Facebook. Ele compartilha a mesa com colegas (Facbook/Reprodução)

O open office, como é chamada essa configuração de escritório aberto, sem salas individuais, cubículos ou divisórias separando os profissionais, gera economia de aluguel às empresas, pois permite que elas coloquem muito mais gente em muito menos espaço.

Além disso, os defensores do modelo defendem ele facilita a comunicação, permite que todos saibam o que cada um está fazendo e, assim, aumenta a produtividade.

Mas uma pesquisa conduzida na Harvard Business School faz esse argumento cair por terra.

De acordo com a investigação, o open office faz com que as pessoas conversem menos ao vivo, por medo de parecerem desocupadas, e prefiram serviços de mensagens instantâneas, que proporcionam mais privacidade. Além disso, ele dificulta a concentração dos funcionários, que passam a apelar para dispositivos de isolamento, como os fones de ouvido. Isso tudo causa perda geral de produtividade das empresas.

Os autores do estudo, Ethan S. Bernstein e Stephen Turban, acompanharam durante seis meses a transição do escritório de duas empresas listadas na Fortune 500 do modelo “antigo”, com salas e divisórias, para o formato open office.

Para medir o comportamento dos funcionários, os pesquisadores pediram para que cada um vestisse uma espécie de broche desenvolvido especialmente para o estudo, capaz de registrar movimentos, localização, postura, proximidade com outros colegas e sons de conversas. Eles também levaram em conta a quantidade de mensagens e emails trocadas durante o período.

A conclusão: a quantidade de conversas cara a cara caiu 70% no escritório aberto. Elas foram substituídas pelo uso de email e mensagens.

De acordo com os autores do estudo, no escritório aberto os empregados passam a buscar formas de preservar a privacidade e passam a preferir canais eletrônicos de comunicação: “Em vez de gerar de colaborações vibrantes face-a-face de forma crescente, a arquitetura aberta desencadeou uma resposta natural humana de recolhimento social”.

Executivos entrevistados pela pesquisa de forma confidencial relataram queda de produtividade em termos quantitativos e qualitativos, segundo as métricas utilizadas pelas próprias companhias estudadas.

“Espero que isso jogue um balde de água fria de que não há desvantagem nesse modelo — ou seja, de que você vai economizar em custos imobiliários e aumentar a colaboração”, afirmou Bernstein em entrevista ao site da Harvard Business School.

 

Comentários

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  1. coisa de mané isso

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  2. Prestava serviço numa PontoCom, que era um braço da empresa mãe, e nela as pessoas vestiam-se moderninhas, com uma arquitetura e móveis moderninhos, num ambiente aberto com 5 colunas de mesas cara-coroa com 8 estações de trabalho em cada. A exceção ficava para os diretores que ficavam isolados em suas salas super moderninhas e bem equipadas. O ambiente era de balbúrdia, todos te interrompiam e era impossível raciocinar e trabalhar direito. Se quisesse fazer algo produtivo optava por trabalhar numa sala de reuniões vazia. Coisas representativas destes modismos babacas.

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