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Pix sob ameaça? A opinião do relator da PEC da Autonomia do BC

Economista diz que autonomia poderia ajudar o Brasil a manter a liderança tecnológica

Por Veruska Costa Donato 21 Maio 2026, 15h40 | Atualizado em 21 Maio 2026, 15h41

A discussão sobre a autonomia financeira do Banco Central ganhou um novo ingrediente nos últimos dias: o futuro do Pix. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita no Senado pretende transformar o BC em uma entidade pública de natureza especial, com mais liberdade para gerir orçamento e investimentos em tecnologia. O tema, porém, teve a votação adiada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) após um pedido de vista coletivo.

Pix em risco? Senador diz que sim

O argumento mais forte dos defensores da proposta é justamente o risco de defasagem tecnológica do sistema financeiro brasileiro. O relator da PEC, senador Plínio Valério, afirma que o Banco Central precisa ampliar investimentos em segurança digital, inteligência artificial e infraestrutura para suportar o crescimento acelerado do Pix. Segundo ele, a atual estrutura já opera sob pressão. “O Pix está prestes a colapsar. São 32 servidores para 245 milhões de acessos todos os dias”, declarou o parlamentar ao defender a necessidade de modernização do órgão.

Pix e tecnologia devem estar juntos

Na avaliação de Paula Zogbi, estrategista da Nomad, o Pix se tornou um dos maiores símbolos da inovação financeira brasileira e que o país conquistou reconhecimento internacional pela velocidade de adoção do sistema. Segundo ela, garantir autonomia financeira ao Banco Central poderia ajudar o Brasil a manter a liderança tecnológica nesse segmento. “O Brasil é referência em algumas iniciativas, o Pix é uma delas”, disse. Na visão da estrategista, recursos próprios permitiriam ampliar segurança, inovação e capacidade tecnológica da instituição.

Bons olhos do mercado sobre a autonomia

Paula também lembra que o mercado financeiro vê a proposta de autonomia com bons olhos, principalmente pelo impacto na percepção internacional sobre o Brasil. Ela destaca que bancos centrais independentes costumam transmitir mais previsibilidade aos investidores estrangeiros, modelo já adotado em economias como Estados Unidos e países da Europa. “Ela traz um pouco mais de credibilidade aos olhos dos investidores”, afirmou a especialista.

Banco Central mais moderno

O senador Plínio também rebate críticas de que a autonomia financeira poderia reduzir mecanismos de controle sobre o Banco Central. Segundo Plínio Valério, o texto prevê limites e fiscalização do Senado para evitar excessos. “O Banco Central precisa modernizar na inteligência artificial. O próprio órgão não tem porque não tem dinheiro para isso”, afirmou. Para ele, o debate acabou ficando travado por motivos políticos, apesar de a proposta estar em discussão há quase três anos no Congresso.

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Credibilidade pode inverter gastos

Ao mesmo tempo, o debate também envolve impactos fiscais. Isso porque a autonomia financeira poderia alterar parte do fluxo de arrecadação hoje ligado ao Tesouro Nacional. Ainda assim, Paula Zogbi avalia que a credibilidade gerada pela medida poderia compensar parte desse efeito ao atrair mais capital estrangeiro e reduzir pressões sobre juros futuros. Para o mercado, a discussão deixou de ser apenas técnica e passou a envolver o papel estratégico do Banco Central na transformação digital da economia brasileira.

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