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Pix pode bancarizar 25 milhões e ajudar Guedes a arrecadar com nova CPMF

Novo imposto digital pode se alastrar na mesma medida em que o Pix for um sucesso e incentivar o brasileiro a pagar conta por meio de transações digitais

Por Josette Goulart Atualizado em 30 set 2020, 17h23 - Publicado em 30 set 2020, 17h15

Quando o Pix estrear, em novembro, a consultoria Roland Berger estima que 25 milhões de brasileiros que passavam longe dos bancos vão começar a movimentar seu dinheiro pelo sistema bancário. Isso porque o novo sistema de pagamentos não só terá facilidades como a de funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, como também não vai cobrar tarifas. Além disso, hoje em dia, opção de conta bancária gratuita é o que não falta no mercado. Mas tarifa zero, não necessariamente vai significar imposto zero, especialmente se o Congresso Nacional aprovar os 0,2% sobre transações financeiras, previstos na nova CPMF do ministro Paulo Guedes. Só com os desbancarizados, que em sua maioria estão nas classes mais baixas, o governo pode arrecadar 625 milhões de reais por ano com o imposto, segundo estudo da Roland Berger feito a pedido de Veja. O dinheiro é pouco no orçamento do governo, mas seria zero sem o Pix. Isso significa que a nova CPMF pode se alastrar na mesma medida em que o Pix for um sucesso e incentivar o brasileiro a pagar todo tipo de conta por meio de transações digitais. 

  • O consultor da Roland Berger, João Bragança, diz que um novo imposto sobre transações digitais terá também efeito sobre o volume de dinheiro que os novos bancarizados vão movimentar. Se não tivesse imposto nenhum, a estimativa era de que os novos consumidores movimentariam 34 bilhões de reais por mês, volume que cai 22% caso haja cobrança de CPMF. O imposto induz comportamento, segundo Bragança. Apesar de não ser significativo, ele impacta pessoas de renda mais alta que hoje não usam o sistema bancário e que não estariam dispostas a pagar imposto se forem usar os bancos. Além disso, classes mais baixas, como a Classe E, que é altamente sensível a qualquer gasto, pagaria pouco menos de 1 real por mês em imposto, mas já seria suficiente para afastá-las do banco.

    Outra conta interessante feita pela Roland Berger compara o custo da nova CPMF com o valor atual de algumas tarifas cobradas para se fazer uma TED, o sistema de pagamentos atualmente usado para transferência entre contas bancárias. A partir de 5,5 mil reais, o custo da CPMF já seria igual ao custo de uma TED de 10 reais.

    O conceito de bancarizado da Roland Berger considera não só as pessoas que abrem uma conta no banco, mas que efetivamente a movimentam. Hoje o Brasil tem 45 milhões de desbancarizados e a estimativa de que cerca de 25 milhões entrem no sistema é feita com base nos dados da Caixa Econômica Federal. O banco divulgou que entre 23 e 24 milhões de pessoas abriram contas poupanças digitais para receber o auxílio emergencial e que até então não eram bancarizadas.

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