Pix, bets e 6×1: as pautas econômicas que Lula levou à ONU
Presidente defendeu sistema de pagamentos, criticou indústria de apostas e voltou a apoiar dois dias de descanso por semana
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou algumas das principais discussões econômicas em andamento no Brasil para seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira, 22. Entre os temas abordados, o presidente defendeu o Pix, criticou o modelo de negócio das bets e voltou a apoiar o fim da escala de trabalho 6×1.
Ao tratar da revolução tecnológica e da necessidade de regulamentação das Big Techs e da inteligência artificial, Lula também direcionou críticas à indústria de apostas. Segundo o presidente, a expansão das bets tem consequências sobre a situação financeira das famílias. “A indústria bilionária das BETs transforma o vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares. O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, afirmou.
Na mesma parte do discurso, Lula defendeu o Pix e afirmou que o governo não pretende ceder a pressões de empresas estrangeiras em torno do sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, disse.
Fim da escala 6×1
As mudanças no mercado de trabalho também ganharam espaço no discurso. Lula defendeu o fim da escala 6×1 como caminho para garantir dois dias de descanso por semana aos trabalhadores. “O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família. No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6×1 para garantir ao trabalhador 2 dias livres por semana”, afirmou.
O presidente relacionou a proposta também à participação feminina no mercado de trabalho. Segundo Lula, a mudança seria importante para reduzir a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres. Além dessas três pautas, Lula dedicou parte do discurso à estratégia econômica do país. Afirmou que o modelo adotado pelo Brasil está baseado na distribuição de renda, geração de empregos e valorização dos salários, além de citar aumento da produtividade, expansão do crédito e fortalecimento da proteção social.
No campo dos negócios, o presidente afirmou ainda que o Brasil é o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto e disse que o país deverá bater um novo recorde de exportações neste ano. Lula também tratou da exploração de minerais críticos e terras raras. Segundo o presidente, o acesso a esses recursos deverá ter como contrapartida a geração de valor dentro do Brasil, transferência de tecnologia e abastecimento de setores estratégicos nacionais.







