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Petróleo rouba atenção de IPCA mais próximo da meta, apontam analistas

Mensalidades escolares puxam a inflação de fevereiro, que veio acima das expectativas do mercado

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 10h18 •
  • A inflação subiu 0,7% em fevereiro, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 12. A alta, puxada pelo reajuste anual das mensalidades escolares, ficou acima da expectativa do mercado financeiro, que estimava um IPCA de 0,66% em fevereiro. Por mais que o índice registrado em fevereiro tenha sido o maior em um ano, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,44% para 3,81%, o que melhora as perspectivas da política monetária, segundo analistas de mercado. “Esse IPCA reforça a percepção de um processo de convergência inflacionária para a meta do Banco Central, de 3% ao ano, ainda que com pressões pontuais em alguns segmentos da economia”, diz João Pedro Moreno, analista de renda variável da corretora Nexgen Capital.

    Por mais que a inflação acumulada nos últimos 12 meses esteja um pouco mais próxima da meta, a última semana gerou muito mais apreensão do que alívio para os agentes do mercado financeiro. A razão é a disparada do petróleo no mundo, que saltou da casa de 70 dólares por barril para cerca de 100 dólares por barril desde o início da guerra no Irã, já menos de duas semanas. Em fevereiro, portanto antes da alta da commodity, o preço da gasolina brasileira registrou uma queda de 0,61%, segundo o IPCA. Analistas temem que o conflito no Oriente Médio possa ter um impacto agressivo nos preços por aqui, uma vez que a Petrobras repasse a alta internacional ao mercado doméstico.

    “O petróleo é um ponto de atenção”, diz Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos. “O combustível segue com pressões de alta, o que pode afetar futuramente a inflação”. O contexto geopolítico inspira cautela por parte do Banco Central, que se prepara para um ciclo de corte de juros. Há dúvida, contudo, sobre qual será o efeito exato dessa cautela na política monetária dos próximos meses.

    Pensando exclusivamente nos números revelados pelo IPCA de fevereiro, o sócio-fundador da Private Investimentos Marcus Novais tranquiliza sobre a trajetória da inflação: “A alta foi puxada principalmente pelos preços da educação e do transporte, ou seja, mostra um efeito sazonal”, diz. Por ora, o executivo segue apostando em um corte de 0,5 ponto percentual na Selic durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

    O mercado não se arrisca a prever uma interrupção do ciclo de cortes de juros que nem começou. Mas há analistas que já começam a olhar suas previsões para a inflação com outros olhos. É o caso de Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos. “Diante da pressão sobre os preços do petróleo resultante da guerra, nossa projeção de 4,1% (para a inflação de 2026) já passa a apresentar viés altista”, diz. A economista ficou negativamente surpresa com o IPCA de fevereiro, pois a inflação de serviços segue pressionada e acima das expectativas do mercado.

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