Petrobras teve economia de R$ 2,9 bi com ‘novo Refis’
Companhia economizou cerca de 30% das dívidas renegociadas após adesão ao programa; grandes empresas nacionais também optaram pelo parcelamento

A Petrobrás teve uma economia de 2,9 bilhões de reais – 30% das dívidas renegociadas – em três adesões no programa de refinanciamento de dívidas do governo federal (“novo Refis”). Entre as empresas que receberam perdão de parte de suas dívidas no ano passado estão algumas das maiores do país, como Ambev, BRF e JBS. Só a companhia dos irmãos Wesley e Joesley Batista – que estão presos desde setembro – anunciou, em outubro que economizaria 1,1 bilhão de reais aderindo ao programa.
Já a BRF teve um impacto positivo em seu resultado financeiro de 220 milhões de reais com a adesão. A Ambev não informou quanto economizou, apenas que pagaria 3,5 bilhões de reais – 1 bilhão de reais no ano passado e o restante em 145 parcelas mensais.
As companhias não comentam suas adesões, mas, segundo consultores da área, elas veem no Refis – cujo nome oficial é Programa Especial de Regularização Tributária (Pert) – uma oportunidade para encerrar ações tributárias que correm na Justiça. “As empresas já contam com o fato de que o governo lançará, a cada três ou cinco anos, um programa de parcelamento de tributos. Elas enxergam nesse sistema uma política paliativa (ao complexo sistema tributário brasileiro) e uma oportunidade para limpar a casa”, diz o diretor executivo de contencioso tributário da EY (antiga Ernst & Young), Murillo Villas.
A advogada Cassandra Alcade, da Delloite, diz que há discussões tributárias que podem levar até 17 anos para serem resolvidas. Quando o governo lança um Refis, as empresas aproveitam para analisar se é mais vantajoso aguardar uma decisão da Justiça ou pagar a dívida parcelada e com desconto parcelada. “(O Refis) hoje faz parte da gestão de contencioso das empresas”, afirma Cassandra.