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Petrobras lança US$ 2,5 bilhões em emissão de bônus de 100 anos

Oferta tem rendimento de 8,45%, nível considerado alto por investidores. Trata-se da primeira investida no mercado internacional desde a Operação Lava Jato

A Petrobras lançou nesta segunda-feira uma rara emissão de bônus de 100 anos para captar 2,5 bilhões de dólares, na primeira investida da companhia no mercado internacional de capitais desde o estouro da Operação Lava Jato, informou o IFR, serviço da Reuters. O lançamento oferece rendimento de 8,45% aos investidores – nível considerado alto porque evidencia o risco envolvendo os papéis da companhia. Ou seja, investidores exigem rendimentos mais altos para financiar a dívida da empresa. Para se ter ideia, em 2013, antes da eclosão da Lava Jato, a Petrobras captou 11 bilhões de dólares a um custo que variava de 2,1% (para os títulos com vencimento em curto prazo) a 5,7% (para os que venciam em 40 anos). O Deutsche Bank e o JP Morgan são os coordenadores da nova transação.

A estatal, que ainda enfrenta os desdobramentos da Lava Jato, busca dar uma indicação forte sobre a sua capacidade de crédito com o primeiro lançamento de um título corporativo de 100 anos da América Latina em quase 20 anos, de acordo com dados IFR. “A ideia é fazer um movimento ousado”, afirmou mais cedo uma fonte do setor bancário. “Fazer algo que só tem sido feito por um seleto grupo mostra força”, acrescentou. O México foi o único nos últimos anos, na América Latina, que tentou uma emissão no prazo de 100 anos. A rentabilidade acordada com os investidores era de 5,58% ao ano.

O preço generoso do rendimento atraiu investidores do mercado, em meio a conversas de demanda de cerca de 10 bilhões de dólares. A emissão acabou ficando acima do intervalo esperado, de 1 bilhão a 2 bilhões de dólares, segundo fontes contatadas pelo IFR. “Pouco mais de um ano atrás, a Petrobras vinha captando com taxas que eram praticamente a metade disso”, frisou Karina Freitas, da corretora Concordia. O negócio também é a primeira emissão de bônus em dólares da companhia desde março de 2014, segundo dados do IFR, quando a estatal fez uma emissão em seis parcelas de 8,5 bilhões de dólares.

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Alguns agentes de bancos disseram que a Petrobras poderia ter pago substancialmente menos se tivesse optado por um título mais curto. Para o gerente de renda fixa da corretora Guide Investimentos, Bruno Carvalho, uma operação dessa natureza deve interessar apenas governos. “Não vejo como pessoas físicas ou empresas privadas poderiam se interessar”, destacou Carvalho.

Como a Petrobras ainda não se pronunciou sobre o tema, analistas destacaram que não está claro qual o objetivo da companhia com esta iniciativa – se é rolar dívidas ou garantir a capacidade para realizar os investimentos necessários.

O mais provável, segundo Carvalho, será a rolagem de dívidas, já que a empresa já mostrou que irá investir menos. Mas, por trás da estratégia, a estatal está buscando mostrar para o mercado uma confiança no desenvolvimento da companhia no longo prazo, acrescentou.

O analista da corretora Spinelli Elad Revi destacou que a empresa está se endividando ainda mais enquanto luta para reduzir indicadores de alavancagem. Em seu último balanço, a Petrobras publicou um endividamento total de 400 bilhões de reais. “O fato de ela vir realmente a emitir bônus dessa natureza, mesmo depois de ter falado que já tinha cumprido suas necessidades (de financiamentos), mostra uma certa instabilidade para com o plano de negócios da companhia”, acrescentou Revi.

Vale lembrar que, em março, o Conselho de Administração da petroleira havia autorizado que a estatal fizesse captações de até 19,1 bilhões de dólares líquidos em recursos ao longo de 2015.

(Com agência Reuters)