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Petrobras desaba quase 10% em NY após demissão de Prates

Abertura de mercado: Investidores não estão exatamente preocupados com a nova CEO. O que está em jogo é a interferência política na estatal

Por Tássia Kastner
Atualizado em 15 Maio 2024, 08h22 - Publicado em 15 Maio 2024, 07h59

Parece um filme de Sessão da Tarde. Na noite de ontem, o governo anunciou a demissão do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, colocando fim a um longo processo de fritura do CEO da estatal. A cadeira será ocupada pela engenheira Magda Chambriard, que foi presidente da ANP durante a gestão Dilma Rousseff.

Investidores não estão exatamente preocupados com as credenciais da nova CEO da Petrobras. O que está em jogo mesmo é a interferência política pesada na estatal. A União é acionista controladora da companhia e tem poder para tomada de decisões. É do jogo. E, sob a batuta do governo Lula, o plano era acelerar os investimentos, inclusive em áreas que fracassaram no passado, como estaleiros e refinarias.

O que cabe a investidores nessa situação é decidir se continuam a assistir a esse filme que eles acreditam já terem visto. A julgar pela reação do mercado financeiro após a demissão de Prates, investidores decidiram desligar a TV. Os papéis da Petrobras negociados em Nova York chegaram a tombar mais de 10% nesta manhã, um sinal da debandada em reação ao anúncio. Às 7h55, caíam 8,4%. No mesmo horário, o EWZ, ETF que representa o Ibovespa em Nova York, recuava 1,9]%.

Dá para esperar um dia bastante turbulento não só no Ibovespa, mas também nos mercados de câmbio e juros, já que a interferência na estatal tende a gerar um reação em outros mercados, não só nas ações. É como se houvesse uma súbita piora no risco-país, ainda que as coisas não sejam sempre tão diretamente relacionadas.

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Isso sem falar na mensuração de riscos para a economia brasileira com o colapso climático no Rio Grande do Sul, que segue avançando. A capital gaúcha deve ficar pelo menos mais um mês embaixo d’água, o aeroporto, que tinha as operações suspensas até o fim do mês, agora está paralisado por tempo indeterminado.

Tudo num dia em que os futuros das bolsas americanas amanhecem na pasmaceira, esperando a divulgação da inflação oficial dos Estados Unidos em abril, medida pelo CPI. O dado sai às 9h30.

Investidores esperam que os preços tenham desacelerado para 3,4%, ante os 3,5% dos 12 meses até março. Descontados os preços mais voláteis de alimentos e energia, a expectativa é de inflação de 3,6%, abaixo dos 3,8% computados até março. Um dos motivos para a mudança de humores no mercado americano é a resiliência da inflação, que deve adiar os cortes de juros pelo Fed.

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Ontem, o presidente do BC americano, Jerome Powell, discursou e voltou a afirmar que não antevê um novo aumento de juros nos EUA, como a ala mais pessimista chegou a aventar. Trata-se de um tema essencial para o avanço do Ibovespa. Hoje, porém, a Faria Lima terá assuntos domésticos ainda mais complexos para digerir.

Agenda do dia

9h: Banco Central publica IBC-Br de março
9h: Roberto Campos Neto participa da Conferência Anual do BC
9h30: Estados Unidos divulgam CPI de abril
9h30: Estados Unidos publicam Vendas no varejo de abril
9h35: Gabriel Galípolo participa de evento em NY
10h: Fazenda anuncia Boletim Prisma Fiscal
10h35: Dario Durigan (Fazenda) fala em painel em NY
11h: Michael Barr (Fed) testemunha em audiência na Câmara dos EUA
11h30: EUA/estoques de petróleo do DoE
12h: Lula detalha medidas para pessoas físicas no RS
13h: Neel Kashkari (Fed/Minneapolis) participa de conferência nos EUA
14h30: Banco Central publica fluxo cambial semanal
16h20: Michelle Bowman (Fed) discursa em evento nos EUA

Balanços

Após o fechamento: Equatorial, Fertilizantes Heringer, Gafisa, Light e Marfrig

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