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Penguin Random House compra editora Objetiva

Transação foi oficializada nesta terça-feira. Espanhola Santillana, que tinha o controle da Objetiva, continua no Brasil com editoras Moderna, Salamandra e iD

Maior grupo editorial do mundo, a Penguin Random House adquiriu a editora Objetiva. O comunicado oficial da transação foi feito na tarde desta quarta-feira no Brasil e em Madrid, sede do grupo espanhol Santillana, que desde 2005 controlava a editora brasileira. Pelo acordo, a Penguin Random House Brasil, que já tem participação acionária em outro grande grupo brasileiro – a Companhia das Letras – “adquire a totalidade do controle da Editora Objetiva”, diz uma nota divulgada às 15h. No Brasil, a Santillana manterá as editoras Moderna, Salamandra e iD, de livros didáticos e literatura infanto-juvenil.

A nova composição acionária põe, lado a lado, os editores brasileiros Luiz Schwarcz, que manterá sua função de diretor geral da Companhia das Letras e vai supervisionar as atividades da Penguin Random House Brasil, e Roberto Feith, fundador e diretor geral da Objetiva. Como informou o Radar On-Line, do site de VEJA, a transação de 72 milhões de euros, selou também a venda dos 25% restantes de Feith na Objetiva. O valor total do negócio foi considerado baixo pelas dimensões das empresas adquiridas. Feith negou, em entrevista ao site de VEJA, que a Objetiva estivesse em dificuldades financeiras.

“A Objetiva não estava em situação similar ao do grupo Prisa (controlador da Santillana). A decisão de vender foi mais por necessidade do grupo Prisa”, disse Feith.

A negociação entre Random House e Santillana foi iniciada em 2012. Mas apenas há 10 dias foi decidida a compra da Objetiva. Schwarcz fez questão de ligar para o amigo e ex-concorrente Feith, diretamente de uma reunião do conselho da gigante internacional, para acertarem a reta final de negociações.

“Vamos agora aumentar nossa conta de interurbano e nossa amizade vai ter um motivo profissional para crescer”, brincou Schwarcz.

De acordo com Feith e Schwarcz, a Penguin Random House Brasil passa a figurar entre os três maiores grupos editoriais do Brasil. Para ser concluída, a transação ainda deve demorar 45 dias, a julgar pelo período que demorou a conclusão da venda da Companhia das Letras para a Penguin, que teve o mesmo perfil. Mesmo após a venda de sua participação, Feith permanece como diretor-geral da Objetiva.

A Penguin Random House passa a controlar todos os selos de interesse geral da Objetiva, entre eles Alfaguara, Suma, Fontanar, Ponto de Leitura e Foglio. O acordo inclui os selos editoriais da mesma categoria da Santillana em 22 países, incluindo as filiais de Espanha, Portugal e América Latina. O cronograma de lançamentos e a equipe das empresas permanecem inalterados, de acordo com os editores. Tanto Feith quanto Schwarcz minimizaram o poder de fogo que as empresas terão para negociar com autores.

“Nunca deixamos de contratar um autor por falta de capital de giro. No fundo, a relação é pessoal. Espero que o autor tenha um incentivo maior para continuar nessas empresas”, disse Feith.

Educação – O comunicado divulgado pela Santillana ressalta a decisão de “focar no segmento educacional”. Em 2013, segundo a Santillana, o segmento educação representou 87% do faturamento do grupo, “sendo uma parcela importante procedente da Moderna, filial do Santillana no Brasil”, diz o texto.

“Estes são tempos que exigem pôr todo o foco e esforço na atividade que desde a origem da empresa melhor define seu core business, que é a área educativa”, declarou Miguel Angel Cayuela, conselheiro-delegado do grupo Santillana, no anúncio oficial da venda, na Espanha. Também participou do anúncio o diretor geral do grupo Penguin Random House, Markus Dohle.

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