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Para Coutinho, Europa conseguirá sair da crise

Por Vinicius Neder

Rio – A crise na Europa será enfrentada, pois sempre que o cenário parece caminhar para uma ruptura, os líderes europeus avançam nas negociações. A opinião é do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, para quem uma eventual saída da Grécia do euro seria “palatável” e o problema está na situação das economias maiores, como Itália e Espanha.

“A solução existe, ela é possível. A dificuldade é muito mais política e interna e sempre podem acontecer acidentes”, disse Coutinho, após participar o seminário “O Brasil e o mundo em 2022”. “A saída da Grécia é uma morte anunciada com antecedência e os descontos já foram feitos. O problema real são as grandes economias, a Espanha e a Itália”, afirmou Coutinho, completando que uma ruptura nesses dois países dificilmente seria absorvida “mesmo pelo sistema bancário alemão”.

Apesar do cenário de crise internacional, a economia brasileira tem condições de crescer no médio e longo prazo, na visão de Coutinho, que citou a “fronteira de investimentos” em infraestrutura e na exploração de petróleo no pré-sal como uma oportunidade.

Perguntado sobre as recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI), em relatório sobre o Brasil divulgado na semana passada, para que o BNDES mude seu papel estratégico, deixando gradualmente de lado atividades comerciais, como grandes empréstimos a empresas de primeira linha (que podem facilmente se financiar no mercado privado), para se focar no desenvolvimento do mercado de crédito de longo prazo, Coutinho respondeu que isso já está sendo feito.

“Temos sido os principais formuladores e apoiadores da agenda de desenvolvimento financeiro privado do Brasil. Isso não é novidade. O FMI está chovendo no molhado. O BNDES está na liderança desse processo”, afirmou Coutinho.