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PANORAMA3-PIB dos EUA decepciona, mas esperança com Grécia ajuda

SÃO PAULO, 27 Jan (Reuters) – O crescimento mais fraco da economia norte-americana no final do ano passado pesou sobre o sentimento de investidores nesta sexta-feira, enfraquecendo as bolsas de valores nos Estados Unidos e na Europa. Mas o otimismo de que a Grécia consiga evitar um default deu suporte ao euro e ajudou a minimizar as perdas dos mercados.

Após intensa volatilidade, o Ibovespa fechou quase estável, após chegar a superar os 63 mil pontos ao longo do dia. O vaivém também se fez presente no mercado de câmbio, e dólar voltou a cair frente ao real, na mínima em quase três meses.

Os juros futuros seguiram em baixa, ainda repercutindo a mensagem do Banco Central na véspera sobre a possibilidade de a Selic -hoje a 10,50 por cento ao ano- cair a um dígito.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu a uma taxa anual de 2,8 por cento, informou o Departamento de Comércio do país, bem acima da variação de 1,8 por cento registrada nos três meses anteriores e a maior taxa desde o segundo trimestre de 2010. Economistas ouvidos pela Reuters, contudo, previam uma expansão maior, de 3 por cento.

A safra de resultados corporativos também não ajudou. A Ford Motor apresentou um lucro trimestral abaixo do esperado, devido à alta nos preços das commodities e a perdas na Europa e na Ásia, enquanto a Procter & Gamble Co divulgou um tombo de 49 por cento em seu lucro trimestral depois de encargos.

O dólar caía cerca de 0,6 por cento no final do dia ante uma cesta de divisas, ao mesmo tempo que o euro batia as máximas em pouco mais de seis semanas, por esperanças de que a Grécia chegue a um acordo com credores privados para evitar um calote.

O ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, disse a jornalistas que seu país está a apenas “um passo” de completar um acordo de troca de dívida com credores privados, acrescentando que o país planeja fazer uma oferta final até 15 de fevereiro.

Mais cedo, ministros das Finanças da zona do euro já haviam expressado otimismo com um desfecho positivo nas negociações para evitar um calote grego.

Investidores reagiaram com discrição à série de rebaixamentos de rating anunciad pela Fitch nesta tarde. A agência de classificação de risco cortou as notas de crédito soberano da Itália, Espanha, Eslovênia, Bélgica e Chipre, indicando que há uma chance em duas de mais cortes do rating nos próximos dois anos.

A pauta doméstica reservou os números fechados de 2011 sobre crédito, arrecadação e o resultado do governo central, todos de dezembro.

O governo central -formado pelo governo federal, Banco Central e INSS- fechou 2011 com um superávit primário de 93,519 bilhões de reais, superando a meta oficial do período de 91,8 bilhões de reais.

Em outra frente, o Banco Central informou que o estoque total de crédito no país cresceu 19 por cento, ultrapassando a barreira dos 2 trilhões de reais e acima da previsão de 17,5 por cento para o período.

Por fim, a Receita Federal informou que a arrecadação federal totalizou em 2011 993,667 bilhões de reais, superando em 10,10 por cento a arrecadação total de 2010, de 902,478 bilhões de reais. A Receita prevê, contudo, que a arrecadação cresça menos neste ano.

A agenda doméstica da próxima semana traz dois importantes eventos: a divulgação do relatório de política fiscal e os números sobre a produção industrial, ambos de dezembro.

No exterior, destaque para a participação do chairman do Fed, Ben Bernanke, em audiência no Comitê Orçamentário da Câmara dos Deputados dos EUA, na quinta-feira. Na sexta, as atenções se voltam para a divulgação do relatório geral do mercado de trabalho no país.

Veja como ficaram os principais mercados financeiros nesta sexta-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 1,7386 real, em queda de 0,32 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa teve variação negativa de 0,08 por cento, para 62.904 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 5,91 de reais.

ADRs BRASILEIROS

Às 18h38 (horário de Brasília), o índice dos principais ADRs brasileiros subia 0,39 por cento, a 33.203 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2013 estava em 9,610 por cento ao ano, ante 9,660 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,3212 dólar, ante 1,3097 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia para 132,875 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,450 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil estava estável em 218 pontos-básicos. O EMBI+ cedia 1 ponto, a 361 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones caía 0,35 por cento, a 12.689 pontos, o S&P 500 tinha alta de 0,06 por cento, a 1.319 pontos, e o Nasdaq ganhava 0,53 por cento, aos 2.820 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto fechou em queda de 0,14 dólar, ou 0,14 por cento, a 99,56 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,8998 por cento, frente a 1,94 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código )(Por José de Castro; Edição de Patrícia Duarte)