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Obama convoca americanos a pressionar o Congresso

Presidente americano diz que o 'tempo está se esgotando' para uma solução

Por Da Redação - 29 Jul 2011, 12h42

“Isto não é algo imprevisível como um terremoto, ou um ataque terrorista. Resolver a questão está em nossas mãos”

Barack Obama, presidente americano, sobre o possível calote do país

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou nesta sexta-feira aos americanos a respeito da crise da dívida do país. Em discurso na Casa Branca, Obama pediu à população que pressione o Congresso a chegar a um acordo sobre o aumento do teto da dívida americana. “Liguem, mandem e-mails, usem o Twitter. Pressionem o Congresso a resolver essa questão. É tempo de se comprometer com o povo americano e eu estou confiante que resolveremos esse problema”, afirmou Obama.

Esta foi a segunda vez que Obama falou na TV a respeito da ameaça de calote dos EUA. E foi claro: “O tempo para que os parlamentares cheguem a um acordo está se esgotando”. O presidente americano disse ainda que um entendimento entre republicanos e democratas é possível, já que os partidos não estão a milhas de distância de um acordo. Obama ressaltou, porém, que a solução para o imbróglio precisa agradar aos dois lados. “A discussão é sobre o quanto de gastos podemos cortar de forma responsável”, disse o presidente.

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O líder da maioria democrata no Senado americano, Harry Reid, afirmou mais cedo nesta sexta-feira que tomará as medidas necessárias para obter uma votação sobre um texto de compromisso com o objetivo de elevar o teto da dívida e evitar um default por parte dos Estados Unidos. “Esta é provavelmente nossa última oportunidade de salvar este país do default”, disse Reid, cuja iniciativa pode ser votada na madrugada de domingo.

Concretamente, Reid deverá dar por finalizados os debates a fim de habilitar uma primeira votação de procedimento, que pode ocorrer até a 1 hora de domingo (2 horas de Brasília), sobre o projeto elaborado sob sua direção.

Obama falou também sobre a proposta do deputado republicano John Boehner. O presidente reiterou que o projeto não tem chances de virar lei. O Partido Republicano defende que o teto da dívida seja aumentado em duas etapas – uma vez imediatamente e outra no ano que vem, antes das eleições, e sujeita a outra aprovação dos políticos.

Obama ressaltou que existem diversas maneiras de resolver o problema da dívida, mas mostrou que não aceita uma solução de curto prazo, como a defendida pelo presidente da Câmara, o republicano John Boehner, que exigiria um novo debate sobre o teto da dívida daqui a seis meses. Ontem, Boehner adiou a votação do seu projeto, quando percebeu que não tinha o apoio suficiente para aprová-lo. Não está claro se o projeto será votado hoje. Além disso, mesmo que a Câmara aprove a proposta republicana, os democratas, que controlam o Senado, já disseram que vão rejeitar o projeto.

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Esperava-se que o presidente detalhasse um plano que vem sendo preparado nos bastidores pelo Tesouro americano caso o prazo para o aumento do teto da dívida se esgote e o governo não tenha recursos para cumprir com suas obrigações. Obama, porém, não mencionou nada sobre o assunto.

O presidente falou ainda que há um risco de que os Estados Unidos percam a nota AAA, o grau máximo para atrair investidores, por conta das dificuldades em se chegar a um acordo. “Podemos perder o nosso triplo A, não por não termos recursos para pagar nossas dívidas, mas porque não temos um sistema político que esteja a altura”, disse em uma crítica à demora na resolução da questão. “Isto não é algo imprevisível como um terremoto, ou um ataque terrorista. Resolver a questão está em nossas mãos, é um fardo que podemos tirar de nós mesmos”, disse o presidente.

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