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O rompante de autocrítica de Mercadante: ‘Desoneramos demais’

Ministro da Casa Civil reconhece que redução de impostos da indústria foi além da conta

Por Da Redação 19 mar 2015, 21h20

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, vem sistematicamente emitindo opiniões contrárias às que defendia até as eleições. Nesta quinta-feira, teve um rompante de autocrítica sobre as desonerações de impostos de dezenas de setores da indústria promovidas no primeiro governo Dilma. “Desoneramos demais os impostos, além do que podíamos”, disse. “Por isso vamos ter de fazer uma reorganização das contas públicas.”

Em novembro, logo após a reeleição de Dilma Rousseff, Mercadante foi ao Congresso batalhar pela ‘flexibilização’ (entenda-se redução) da meta fiscal, alegando que se isso não ocorresse, o governo teria de reduzir as desonerações. Naquele momento, o ministro parecia não achar que a política havia ido longe demais. “Significa menos impostos para pessoas poderem comprar, empresas poderem vender, gerar empregos e manter salários”, explicou o ministro. O ministro disse ainda que se a meta não fosse “flexibilizada”, a alternativa seria “suspender todas as desonerações de impostos, aumentar imposto para o setor produtivo e para a indústria”, o que ele considerava uma decisão até então impensável.

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Quando o ministro da Fazenda Joaquim Levy anunciou o recuo da política de desonerações, com o objetivo elevar a arrecadação de impostos para conseguir cumprir a meta fiscal, proferiu uma frase que desagradou à presidente Dilma – e levou represália. Levy havia dito que as desonerações haviam sido feitas de maneira “grosseira“. Dilma afirmou que a declaração foi “infeliz” e o ministro se retratou. Até então, a presidente se negava a reconhecer os erros de condução da economia, atribuindo a situação econômica delicada à conjuntura internacional. Após os protestos de 15 de março, Dilma considerou que algumas políticas tiveram “problemas de dosagem”. “Nenhum governo é perfeito”, afirmou, em coletiva à imprensa na segunda-feira.

Mercadante tem mostrado o comportamento mais contraditório entre todo o quadro ministerial de Dilma. Há algumas semanas, defendeu com veemência o ajuste fiscal e reafirmou a importância de sua aprovação pelo Congresso para que o Brasil mantenha o grau de investimento. “Ajuste fiscal é mais ou menos que nem ir no dentista. Ninguém quer, mas tem que ir. De vez em quando, a gente tem que ir no dentista e tem que fazer o ajuste fiscal e nós precisamos fazer. Quanto mais rápido, melhor para o país”, disse.

Num passado não muito distante, deu uma entrevista afirmando justamente o contrário. “Cortar gasto público é como cortar cabelo, tem que fazer sempre. Mas quando faz um ajuste fiscal de uma visão ortodoxa, sem olhar o conjunto da economia e da sociedade, é o mesmo que estar com um avião pesado, com muita carga, e resolver jogar a turbina fora para reduzir o peso. Você cai, o país cai”. E concluiu: “Nós não faremos uma política ortodoxa e recessiva. Essa é a diferença de fundo”, afirmara na ocasião.

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