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O que está em jogo no encontro entre Haddad, Tebet e Campos Neto

Conselho Monetário Nacional se reúne na quinta-feira para definir metas inflacionárias, tema que foi alvo de críticas de Lula

Por Luana Zanobia Atualizado em 26 jun 2023, 14h56 - Publicado em 26 jun 2023, 11h50

Depois do encontro recente do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que estabeleceu a manutenção da taxa de juros em 13,75% ao ano, o próximo compromisso de grande relevância para o mercado compreender as direções da economia ocorrerá na quinta-feira 29, na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). A finalidade será estabelecer as diretrizes da meta inflacionária, um tópico crucial para a política monetária e, neste caso, a influência do governo Lula é maior que a do Banco Central. 

O conselho inclui o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto. A reunião do colegiado marca o primeiro encontro de Campos Neto com Haddad após as relações entre as autoridades ficarem ainda mais estremecidas com a decisão da autarquia de manter a Selic nos 13,75% ao ano, sem indicar explicitamente um corte em agosto, como era amplamente esperado pelo governo e pelo mercado.

No momento, a meta de inflação fixada para 2024 e 2025 é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Durante o encontro desta semana, o CMN terá a chance de revisar esse nível e também estabelecer a meta para 2026. No início de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a fazer inúmeras críticas ao patamar da meta, sugerindo elevações, mas o discurso esfriou posteriormente, cedendo lugar a mudanças mais estruturais.

Apesar dos ataques de Lula, o mercado espera que as metas para os próximos anos permaneçam, embora não descarte mudanças no horizonte de cumprimento. Em vez de alvos para os anos-calendário, que verificam as metas anualmente, haveria um objetivo contínuo ao longo do tempo, como acontece no Canadá, em países da Europa e nos Estados Unidos, e Haddad tem manifestado a intenção de implementar essa mudança. O mercado tem demonstrado apoio, pois a adoção de uma meta contínua pode trazer maior estabilidade e previsibilidade para a política monetária do país, possibilitando ajustes graduais e diminuindo a volatilidade nos mercados financeiros. “Uma parte significativa do mercado  espera uma mudança em relação à desvinculação do ano-calendário, em favor de uma meta contínua estabelecida em 3%. Se isso ocorrer, o mercado terá uma perspectiva mais positiva'”, diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.  Essa discussão de mudar o cumprimento ao invés da meta evoluiu quando o mercado demonstrou aversão ao risco, preocupado com a possibilidade da meta se aproximar de 4%, o que seria bastante contraproducente, especialmente considerando as projeções de que a inflação encerrará o ano acima da meta. 

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“Ainda há incerteza em relação à definição e prazo dessa nova abordagem, assim como sobre a transição a partir da regra atual. No entanto, o que importa para os mercados é a manutenção do centro da meta em 3% e a não alteração das faixas em relação a esse centro, que atualmente estão a 1,5 ponto percentual”, diz Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez. Com base em uma pesquisa realizada pela BGC com 110 empresas institucionais do mercado, a expectativa do mercado para a reunião é positiva, com 95% esperando que o centro em 3% seja mantido. Uma vez que essa informação seja confirmada, dois terços dos participantes acreditam que isso poderia impulsionar de forma positiva os ativos e os preços dos ativos domésticos. “Na nossa opinião, concordamos com esse grupo: se o centro da meta de inflação for confirmado em 3% e as faixas forem mantidas inalteradas, apenas ajustando o horizonte do sistema de metas de inflação, acreditamos que haverá espaço para continuar com esse momento mais positivo de desinflação. Isso representa uma importante oportunidade para superar os ruídos que afetaram as expectativas de inflação”, avalia Cunha.

As projeções inflacionárias sopram a favor da manutenção da meta, por isso a elevação tem sido amplamente descartada pelo mercado. As estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caíram para 5,06% para este ano, 3,98% para o próximo ano e 3,8% para 2025 e 2026. Esses fatores aumentam a expectativa pela redução da taxa de juros. Se confirmadas essas mudanças e se a inflação continuar cedendo, o BC terá de enfrentar uma pressão maior do governo e do mercado para dar início ao corte. Por isso, a reunião do CMN desta semana tem o potencial de estabelecer não só a meta de inflação para os próximos anos, mas também a atitude do Banco Central nas próximas reuniões.

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