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O pedido do banqueiro que esteve à mesa com Paulo Guedes

Presidente do Andbank Brasil, banco europeu com 10 bilhões de reais sob gestão no país, fala sobre reunião com Guedes e sua avaliação do governo

Por Luana Meneghetti Atualizado em 16 fev 2022, 13h16 - Publicado em 16 fev 2022, 12h20

No fim de 2021, o ministro da Economia, Paulo Guedes esteve reunido em um almoço com importantes ‘figurões’ da economia brasileira. O tema em questão era a reforma tributária. Os convidados do ministro eram do chamado grupo Parlatório – que reúne empresários, economistas, financistas e advogados, que se comunicam com frequência através do WhatsApp. Entre os convidados estava Carlos Foz, presidente do Andbank Brasil, instituição europeia de private banking com 10 bilhões de reais de ativos sob gestão no país. Na ocasião, o pedido do banqueiro foi pela redução da alíquota de impostos que incidem sobre o setor e encarecem a atividade e a oferta de crédito no país.

O pedido foi pela revisão da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que tiveram suas alíquotas elevadas no último ano para bancar a perda de receitas com as medidas populistas do presidente Jair Bolsonaro. A CSLL foi elevada em março de 2021, de 20% para 25%, para compensar a redução da alíquota do PIS/Cofins sobre os combustíveis e o gás de cozinha, e o IOF para custear o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família. As medidas foram válidas até final do ano passado. O CSLL retornou ao patamar de 20%, mas a setor ainda considera a alíquota alta, se comparada a taxa de 9% que incide sobre as empresas. Esse pedido, inclusive, ainda está à mesa e o setor busca apoio junto ao governo.

Em entrevista a VEJA, o banqueiro diz que o Brasil precisa de uma ampla reforma fiscal, mas bem diferente das proposta que foi apresentada que, na sua avalição, “não era nada boa”. Para o executivo, é urgente também uma reforma administrativa. “O mercado ficou bastante decepcionado porque esperava reformas e uma agenda desestatizante, o que não aconteceu. O governo não conseguiu avançar na agenda reformista que foi vendida nas eleições”, diz. As reformas tributária, fiscal e administrativa, que surgiram como grandes trunfos nas eleições de 2018 de Jair Bolsonaro e sua equipe econômica, estão praticamente engavetadas. O mote de sua campanha “menos Brasília, mais Brasil”, com promessas de reduzir o tamanho do estado e implantar um modelo fiscal moderno, não foi colocado em prática nesses quatro anos de gestão. E, com pouco menos de um ano de governo, as chances das propostas avançarem às vésperas das eleições são bastante reduzidas. “Precisamos parar de achar que vai vir um Messias que vai salvar o Brasil”, diz.

Apesar da decepção com o governo, o banqueiro teceu elogios ao movimento antecipado do Banco Central na elevação da taxa de juros, apesar de considerar um “exagero” a Selic muito baixa, quando chegou ao menor patamar histórico de 2% ao ano, e também a máxima apontada, acima de 12% ao final deste ano. “Sempre fomos criticados por estar atrás da curva, mas acho que pela primeira vez o BC antecipou o movimento”, diz. Mesmo com aumento da Selic, a inflação ainda não arrefeceu como o esperado, e ainda acumula alta de 10,38% no acumulado de 12 meses até janeiro, com o mercado projetando um IPCA de 5,5% ao final do ano, fugindo mais um ano da meta estipulada pelo BC.  “O nosso pedido para o próximo governo é o avanço com as reformas. Também queremos mais privatização e um cenário mais propício ao investimento, com inflação mais controlada e juros mais baixos”, diz. Para o banqueiro, a Selic ideal seria no patamar de 7% a 8%, dependendo do comportamento da inflação.

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