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Entenda porque mudanças no BC americano respingam no Brasil

A sinalização de Trump de que Kevin Hassett deve comandar o Federal Reserve reacende expectativas sobre juros

Por Veruska Costa Donato 3 dez 2025, 11h49 • Atualizado em 3 dez 2025, 12h03
  • A fala de Donald Trump num evento na Casa Branca em tom de cumplicidade escancarou o próximo movimento do presidente americano na política monetária dos Estados Unidos. Trump disse bem humorado, como se estivesse provocando um amigo, que havia no evento um potencial candidato à presidência do Fed, e citou: “Kevin”.

    E por que Kevin Hassett, 63 anos, diretor do conselho econômico americano é uma figura tão importante para o Brasil? A reposta está na instituição ao que tudo indica Hassett deve presidir a partir de maio do ano que vem quando o atual, Jerome Powell, deixar a presidência. O Federal Reserve é a instituição que define o custo do dinheiro no mundo inteiro.

    No programa Mercado desta quarta-feira, o economista Alex Agostini, da Austin Rating, lembra que qualquer mudança no Fed é imediatamente sentida aqui. “Se o Fed sinaliza corte nos juros americanos, o capital volta para os mercados emergentes; se sinaliza alta, ele foge”, disse. Para ele, a eventual chegada de Hassett — com uma linha mais flexível na política monetária – consolida a aposta de que os juros americanos podem cair com mais velocidade no segundo semestre de 2026, mesmo antes de a inflação convergir totalmente.

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    Essa possibilidade anima o mercado brasileiro, especialmente em um momento em que o país enfrenta incertezas fiscais, volatilidade política e desaceleração no emprego formal. “Os Estados Unidos hoje têm inflação entre 2,7% e 3%. A pressão lá virou prioridade do governo, e isso explica até movimentos recentes de política comercial, como a retirada parcial de tarifas sobre produtos brasileiros”, afirmou Agostini. Caso Hassett confirme o perfil mais suave, as curvas futuras americanas podem puxar para baixo parte relevante das taxas longas brasileiras — abrindo espaço para crédito mais barato e maior fluxo para a bolsa.

    O ponto central, porém, foi exposto pelo economista Alexandre Mathias, da Monte Bravo. Ele explicou que a variável mais importante do sistema financeiro mundial é o rendimento dos Treasuries de dez anos, os títulos que definem o “preço global do capital”. “Se essa taxa sobe, o capital corre para os EUA e deixa países como o Brasil com juros mais altos, câmbio pressionado e bolsa fraca. Quando cai, ocorre o oposto — ativos de risco sobem no mundo inteiro”, disse. A queda dessa taxa para perto de 4% vem sustentando o bom humor recente dos mercados, e uma eventual mudança no Fed tende a intensificar esse movimento.

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    Mathias ressalta que, no caso de emergentes, o efeito é quase automático. O Brasil, por exemplo, sente a oscilação dos treasuries no câmbio diário, no preço das commodities, na curva de juros e no apetite dos investidores estrangeiros por bolsa. “É impossível analisar a economia brasileira sem olhar a equação juros–inflação nos Estados Unidos. O Fed é o centro de gravidade do sistema”, afirmou.

    A indicação informal de Hassett, portanto, vai muito além do noticiário político de Washington: ela ajuda a determinar quanto custará investir, tomar crédito, importar, exportar ou financiar empresas brasileiras em 2026. No fim, a regra segue inviolável: quando o Fed espirra, o Brasil muda de humor — e quando o Fed muda de comando, o Brasil muda de rota.

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