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No Congresso, oposição trata rebaixamento do Brasil como ‘desastre anunciado’

No Senado, o líder do governo Delcídio Amaral minimiza a avaliação da agência Standard & Poor's

Por Laryssa Borges e Marcela Mattos, de Brasília - 9 set 2015, 21h20

O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s não surpreendeu ninguém dentro do governo. Com a economia em retração e sem a garantia de o Congresso aprovar um Orçamento para 2016 condizente com o cenário de ajuste fiscal, a nota BB+, em perspectiva negativa, abre caminho para novo rebaixamento e coloca em dúvida a duração do ministro da Fazenda Joaquim Levy no governo. A abertura dos mercados nesta quinta-feira, com a perspectiva de fuga de investimentos, queda de ações de empresas e escalada do dólar, deve colocar à prova a equipe econômica e pressionar ainda mais a instável governabilidade do governo petista.

No Congresso, partidos de oposição questionaram as condições de o governo Dilma seguir em frente e atribuíram à petista a responsabilidade pela perda do grau de investimento. “É o início do caos”, resumiu o presidente do DEM, Agripino Maia (DEM-RN). “Um desastre anunciado. Resultado da incompetência e dos erros do governo. O Brasil perdeu hoje o grau de investimento fruto de erros sucessivos de política econômica dos últimos seis anos, agravados pelo desvio de recursos públicos e aparelhamento político das estatais”, disse o presidente do PSDB Aécio Neves (PSDB-MG). “O cenário é ainda mais grave porque estamos em um governo no qual a presidente terceirizou a sua política econômica. A perda do grau de investimento do Brasil e a perspectiva de revisão negativa nos próximos doze meses mostram que o governo da presidente Dilma acabou”, completou o tucano.

Para o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP), o rebaixamento da economia brasileira é a “comprovação da incompetência” da presidente Dilma e reflete a falta de condições de governo de seguir adiante. “A presidente Dilma posou de arrogante e preferiu buscar culpados para a crise, em vez de apresentar soluções. A perda do grau de investimento coroa o fracasso deste governo que não tem uma política econômica, não tem rumo e não tem mais jeito”, afirmou. “É reflexo da incompetência desse governo e, infelizmente, mais uma maldade da presidente Dilma Rousseff contra os brasileiros. Está claro que, nesse ritmo, o Brasil não vai aguentar mais três anos com a presidente e sua incompetência no comando do governo”, completou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR).

Segundo o senador Ronaldo Caiado, o rebaixamento do Brasil para a categoria de grau especulativo “é o atestado internacional da falência do atual governo, o total descrédito desse governo perante o cenário internacional”. “Quem vai pagar a consequência disso é a população brasileira”, completou ele. A única alegria que eu tenho é que nossa base na Câmara dos Deputados vai poder iniciar o trabalho de impeachment amanhã.

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O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-SP), tentou minimizar a avaliação da S&P – a despeito de, em 2008, o governo ter festejado quando a agência concedeu o grau de investimento à economia brasileira. “A Standard & Poor’s não é a última parada sob o ponto de vista econômico, basta ver a bolha imobiliária americana que levou o mundo em 2008 e 2009 àquela situação de extrema dificuldade. Não podemos entender agência de risco como se fosse a última palavra da economia, porque não é. Mas independentemente dos erros que elas cometem, elas são usadas como referência”, disse. “Governo não pode simplesmente ignorar isso. Havia essa preocupação sistemática e permanente [de rebaixamento]. Em função do orçamento e de desencontros, a S&P cumpre o papel dela”, justificou o parlamentar.

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