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Nestlé aposta na África com expansão da classe média

Por Filipe Domingues

Johanesburgo – Diante da expansão da classe média em países africanos, a companhia suíça de alimentos Nestlé pretende expandir sua presença no continente, de acordo com reportagem do Wall Street Journal. A Nestlé espera que, até 2020, 45% de sua receita com vendas sejam provenientes de mercados emergentes, ante os 30% atuais. E a África é parte importante desse crescimento. As vendas da Nestlé no continente cresceram 6,4% no ano passado, para 3,3 bilhões de francos suíços (US$ 3,6 bilhões), enquanto as vendas globais totalizaram 109,7 bilhões de francos suíços, o que representa elevação de 2% em um ano.

Esse crescimento vem sendo registrado principalmente com a ajuda de vendedores individuais, que levam os produtos da Nestlé a pequenas lojas da África do Sul, por exemplo, em vez dos grandes supermercados. De táxi, eles chegam inclusive aos bairros mais pobres e perigosos das grandes cidades.

A Nestlé não é a única a investir na África com uma estratégia singular. Outras companhias também se voltaram à classe emergente da África. A norte-americana Kraft Foods, por exemplo, está formando uma rede de vans para transportar os vendedores em municípios sul-africanos. Já a Samsung Electronics lançou no Quênia e na Nigéria telefones celulares que funcionam com a luz solar, já que a eletricidade é mal distribuída em muitas regiões. E a Coca-Cola utiliza 3,2 mil pontos de distribuição para entregar seus produtos a pequenas lojas de 15 países africanos.

O Banco de Desenvolvimento Africano estima que a classe média do continente – quem ganha de US$ 4 a US$ 20 por dia – vai alcançar 1,1 bilhão de pessoas até 2060 e corresponder a 42% da população da África. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o crescimento econômico da África subsaariana atingirá 5,25% neste ano e 5,75% no ano que vem, superando a média global de 4% ao ano. As informações são da Dow Jones.