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‘Não há consenso sobre as próximas decisões do Fed’, diz Powell

Presidente do banco disse que o corte reflete busca por um ponto neutro, diante da preocupação com o enfraquecimento do mercado de trabalho

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 out 2025, 16h19 • Atualizado em 29 out 2025, 16h23
  • Em meio à paralisia parcial do governo americano (shutdown) e a sinais de desaceleração no mercado de trabalho, o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%. A decisão, amplamente esperada pelos mercados, foi apresentada pelo presidente da autarquia, Jerome Powell, como um “exercício de gestão de riscos”, uma tentativa de equilibrar o combate à inflação com a preservação do emprego, num momento em que ambos os objetivos do banco central parecem igualmente ameaçados.

    Durante meses, o Fed tratou a inflação como o inimigo principal. Agora, com revisões para baixo na criação de vagas e indicadores de arrefecimento do mercado de trabalho, Powell reconheceu que o risco de uma desaceleração mais profunda exige um reposicionamento.

    “Se os dois objetivos estão igualmente em risco, você deve se posicionar no neutro, porque um pede alta e o outro pede corte”, disse Powell.

    Nesse contexto, o “nível neutro” da taxa de juros representa aquele que não estimula nem freia excessivamente a economia, permitindo que o banco central equilibre o combate à inflação com a preservação do emprego.

    O movimento, no entanto, ocorre em um momento delicado, e quase “às cegas”, já que o shutdown paralisa parcialmente o governo e interrompe a coleta de estatísticas econômicas essenciais para orientar as decisões do colegiado.

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    A paralisação do governo, que completa 29 dias e afeta agências responsáveis por coletar e divulgar dados sobre emprego e atividade, foi reconhecida por Powell como um fator adicional de incerteza. Sem essas informações, o banco central terá de se apoiar em fontes alternativas, como o Beige Book e indicadores estaduais, para calibrar sua leitura da economia. “Se houver um nível muito alto de incerteza, isso pode ser um argumento a favor da cautela”, disse.

    No interior do Fed, a decisão teve apoio da maioria, mas o consenso termina aí. A divergência agora se concentra no futuro: enquanto parte dos dirigentes defende uma pausa para avaliar os efeitos do corte, outros sugerem que a taxa já pode estar acima do nível neutro, exigindo novos ajustes. Powell, por sua vez, deixou claro que não há uma decisão pré-determinada para dezembro, uma forma de preservar a flexibilidade num cenário em que a economia americana continua a desafiar previsões.

     

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