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Microsoft adquire nova crise de assédio com a compra da Activision

Empresa adquirida por US$ 68 bi tem como passivo um histórico de discriminação e assédio; gigante já enfrenta denúncias envolvendo Bill Gates

Por Luana Meneghetti Atualizado em 19 jan 2022, 17h26 - Publicado em 19 jan 2022, 16h42

Ainda sem resolver a própria crise envolvendo o seu cofundador Bill Gates, a Microsoft, multinacional americana de tecnologia, comprou a gigante de jogos eletrônicos Activision e, junto com um dos maiores negócios da história, levou para si uma nova crise de assédio para administrar. A empresa famosa pelo jogo “Call of Duty” carrega uma bagagem de alegações de má conduta sexual e discriminação.

“Os relatórios sugerem que várias dezenas de funcionários já saíram da empresa e 44 foram punidos em resposta às alegações”, diz o serviço de análise para o mercado financeiro Seeking Alpha, em relatório. De acordo com a Bloomberg, as alegações são de que a “Activision pagava mal às mulheres e permitia que o sexismo e o assédio ficassem impunes.

Desde o ano passado, a Microsoft está tentando administrar uma crise de assédio sexual própria envolvendo o seu cofundador Bill Gates, após denúncia de funcionários de que ele tinha um comportamento “questionável” e mantinha relacionamentos inapropriados com membros da equipe.

Se aprovada pelos órgãos reguladores, a compra avaliada em 68,7 bilhões será a maior aquisição da história da Microsoft, ultrapassando em 2,5 vezes o valor pago pelo LinkedIn há cinco anos atrás. Segundo a Seeking Alpha, a compra também resultaria na maior aquisição de todos os tempos da indústria de tecnologia, superando a compra de 67 bilhões de dólares da empresa de sistemas de armazenamento de dados EMC pela fabricante de computadores Dell, em 2016.

O negócio pode posicionar a Microsoft como a terceira maior empresa de jogos, em receita, do mundo, ficando somente atrás da Tencent e da Sony. Só no ano passado a Microsoft adicionou 1 trilhão ao seu valor de mercado de pouco mais de 2 trilhões de dólares, tendo ainda uma folga de 130 bilhões de dólares em seu caixa para pagar pela nova aquisição. A Microsoft já atua no universo dos jogos com a marca Xbox. O Xbox Game Pass, serviço de assinatura da Microsoft, conta com 25 milhões de assinantes, mas a compra da desenvolvedora de games sinaliza que os investimentos estarão direcionados para o segmento de jogos mobile e pelo posicionamento no metaverso.

Negócios

A movimentação de compra fez as ações da Microsoft encerrarem a sessão de ontem com queda de 2%, enquanto os papéis da Activision Blizzard valorizaram 26%.

Em entrevista para a Bloomberg, o chefe de jogos da Microsoft, Phil Spencer, disse que a Microsoft avaliou os planos da Activision para lidar com questões de assédio. Mas o discurso ainda não convence o mercado. Para a professora associada da Faculdade de Direito da Universidade Oregon, Elizabeth Tippett, a mensagem que a Microsoft passa é a de que não se importa em comprar uma “empresa contaminada”.

Bobby Kotick é CEO da Activision há 31 anos e foi pressionado a renunciar no ano passado após uma reportagem no jornal The Wall Street Journal revelar que ele praticava maus tratos às mulheres da empresa e era conivente com os atos praticados, inclusive tinha até mesmo ciência de casos de estupro. Kotick apenas pediu desculpas e continua no comando da empresa, mas deve perder o cargo quando a compra pela Microsoft for concluída em 2023.

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