Mercado projeta início cauteloso de cortes da Selic sob pressão externa
Disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio e a esperada manutenção dos juros pelo Fed reduzem espaço para queda por aqui
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira, 18, para decidir o rumo da taxa básica de juros, a Selic, em meio a um cenário marcado por pressões externas que aumentam as incertezas sobre o comportamento da inflação. A chamada ‘superquarta’ também inclui a decisão do Federal Reserve, dos Estados Unidos, que deve decidir pela manutenção manter da taxa americana, limitando o espaço para cortes no Brasil.
A expectativa predominante no mercado é de início gradual do ciclo de flexibilização, com um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 15% para 14,75% ao ano. Parte dos analistas, no entanto, considera plausível o adiamento do corte diante do ambiente mais adverso.
O cenário mudou nas últimas semanas com a disparada do petróleo, que passou de cerca de 72 dólares para mais de 100 dólares por barril após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, elevando o risco de pressão sobre os preços de toda a economia. Ainda assim, os indicadores domésticos mostram alguma resiliência, com o câmbio relativamente estável e expectativas inflacionárias sem deterioração significativa.
Em relatório enviado a clientes nesta manhã, o Itaú BBA avalia que, apesar do balanço de riscos mais desfavorável, a inflação segue em trajetória “relativamente benigna”, o que permitiria o início de um ciclo de cortes, ainda que em ritmo mais lento.
A comunicação do Banco Central deve refletir esse cenário. A expectativa é de ênfase na dependência de dados e na possibilidade de interromper o ciclo caso os choques inflacionários se mostrem mais persistentes.
“O Federal Reserve mantendo juros elevados reduz o espaço para cortes no Brasil e reforça a necessidade de cautela do Banco Central”, afirma Gabriel Padula, presidente do Grupo Everblue, em nota à imprensa.
Outros analistas também destacam a incerteza sobre o início do ciclo de queda. “O adiamento dos cortes da Selic é uma hipótese relevante diante de um cenário ainda pressionado, especialmente na inflação de serviços e no ambiente internacional”, diz Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.
A pesquisa Focus aponta expectativa de Selic em 12,13% ao fim de 2026, indicando um ciclo de queda, mas mais lento e com juros elevados por mais tempo. “O Copom pode adiar o início dos cortes se entender que a inflação e, principalmente, as expectativas ainda não estão bem ancoradas”, afirma André Matos, presidente da MA7 Negócios.
Para a economia, a decisão desta semana tende a influenciar as condições de crédito e o ritmo da atividade nos próximos meses. Analistas avaliam que o início dos cortes pode reduzir gradualmente o custo do dinheiro, enquanto a manutenção de juros elevados prolonga um ambiente mais restritivo, com impacto sobre consumo e investimento.






