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Mercado formal surpreende ao contratar mais que demitir em 2020

No ano, país criou 142,6 mil vagas com carteira assinada; volume diminuiu em relação aos dois anos anteriores mas é melhor do que em 2017

Por Larissa Quintino, Victor Irajá Atualizado em 28 jan 2021, 20h49 - Publicado em 28 jan 2021, 11h37

Os bons números do mercado formal vinham sendo comemorados pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, desde outubro, quando houve uma sinalização que o país poderia encerrar o ano marcado pela pandemia do novo coronavírus (e um choque sem precedentes na atividade econômica) sem fechar vagas de emprego formal. No entanto, o resultado foi melhor que a expectativa: o país não só perdeu não postos de trabalho formais como criou vagas com carteira assinada. Segundo o Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo de empregos CLT de 2020 foi de 142.690,  ou seja, foram abertas mais vagas que fechadas. Os números foram divulgados nesta quinta-feira, 28, pelo Ministério da Economia. “O dado corrobora que estamos recuperando. A grande notícia para nós é que num ano terrível, que o PIB caiu 4,5%, nós criamos 142 mil empregos”, comemorou Guedes.

O resultado foi melhor, inclusive, do que previu o próprio Ministério no início da pandemia. Segundo a Secretaria de Previdência e Trabalho, a expectativa inicial quando houve o primeiro impacto da pandemia no Brasil era do fechamento de 10 milhões de vagas formais de trabalho. Guedes ressalta que, as políticas engendradas foram efetivas e destacou o BEm, programa que permitiu suspensão de contratos ou redução de jornadas. “O BEm preservou 11 milhões de empregos. De um lado, o auxílio emergencial fez a maior transferência de renda direta para 64 milhões de brasileiros e, por outro lado, (teve) o programa de preservação de empregos, que está sendo premiado internacionalmente”, ressaltou o ministro.

Há estudos sobre a mesa de Guedes para uma reedição do programa em 2021, mas ainda estão parados por detalhes técnicos. Além dos frutos, o programa tem impacto financeiro considerado baixo pela equipe econômica. Para oito meses de benefício — com base no seguro desemprego — o valor ficou em 51,5 bilhões de reais. O auxílio emergencial, por mês, custa cerca de 50 bilhões de reais.

  • Cabe ressaltar que o Caged capta apenas o comportamento do mercado formal, ou seja, números de carteiras assinadas que são informadas pelos empregados ao Ministério da Economia, e não os dados de desemprego do país, compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nesta quinta, o IBGE divulgou que o desemprego atinge 14 milhões de pessoas, taxa de 14,1% em novembro. O dado é estável em consideração com os trimestres anteriores, mas mostra a entrada de 3,9 milhões de pessoas no mercado do trabalho — ou seja, há recuperação.

    O descompasso entre a taxa de desocupação e a criação de vagas formais está diretamente ligada à recuperação da economia e, por isso, era esperada. Com atividades voltando a funcionar e os indicativos de melhora, mais gente passou a procurar emprego. A taxa de desocupação do IBGE considera desempregados somente aqueles que ativamente procuram por uma vaga. A melhora do mercado formal é importante, mas é difícil que haja absorção de toda a força de trabalho, que também passa por trabalhadores informais. Segundo o ministro, o foco para 2021 é “saúde, emprego e renda”, ou seja, a política econômica passa diretamente pela ampla vacinação. Guedes, entretanto, ressalta que é necessário o andamento de reformas para que o movimento de geração de vagas continue a ocorrer. “Esperamos que quando o Congresso retorne, avançada a escolha das novas lideranças, as reformas possam andar. Uma série de propostas está parada e temos a oportunidade de trabalhar em matérias importantes que envolvem saúde, emprego e renda”.

    Retomada

    Em abril, o país amargou a perda de 951 mil de postos de trabalho, diante da paralisação dos negócios pelas corretas e precaucionais medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos para desacelerar o avanço da doença. Em maio, o mercado de trabalho assistiu à ceifa de 367.227 vagas. Foram os dois meses de maior desafio. Depois, houve recuperação e, mês a mês, as vagas formais têm se multiplicado.

    A partir de julho, o país começou a criar vagas formais de trabalho. Naquele mês, entre pessoas que amargaram demissões e foram contratadas, o saldo ficou em 137.691. De agosto a novembro, houve saldo positivo de vagas que foi interrompido apenas em dezembro, com fechamento de 47 mil vagas. O resultado de dezembro, entretanto, também é comemorado, mesmo com saldo negativo. Isso ocorre porque dezembro é um mês tradicional de demissões, com desligamento de funcionários temporários. Em 2020, os dados de dezembro foram os melhores desde 1995.

    “Na recessão de 2015, destruímos 1,5 milhão de empregos por erros de política econômica internos, assim como em 2016. No acumulado de 2020, quando a maior pandemia em cem anos nos atingiu e o PIB retraiu 4,5%, geramos 142 mil novos empregos”, ressalta Guedes. Que as boas notícias do mercado de trabalho em um ano complicado como 2020 possam ser vistos também em 2021. Como o ministro gosta de dizer, o emprego é o melhor programa social para o país.

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