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Mercado financeiro volta a rever PIB para baixo e estima recuo de 6,54%

Previsão de analistas é pior que do BC, mas está longe da queda de 9,1% projetada pelo FMI; economistas enxergam espaço para mais corte na Selic

Por Larissa Quintino - Atualizado em 29 jun 2020, 14h34 - Publicado em 29 jun 2020, 08h57

Após ter interrompido a sequência de 18 revisões para baixo do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, o mercado financeiro voltou a projetar para baixo a estimativa do resultado da economia brasileira para 2020. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 29, pelo Banco Central, o país deve ter uma recessão na casa de 6,54% este ano. Na semana passa, a estimativa era de 6,50%. A instabilidade quanto a evolução do coronavírus no país, além do ambiente político tumultuado, ajudam a empurrar as projeções do país para baixo.

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A média das previsões do mercado, contidas no Focus, são menos pessimistas de que agentes internacionais. Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou queda do PIB brasileiro em 9,1% neste ano, enquanto o Banco Mundial projeta tombo de 8%. O Banco Central tem visão um pouco menos pessimista que os outros agentes e vê retração de 6,4% na economia este ano. Segundo o presidente do BC, Roberto Campos Mello, a autoridade monetária enxerga uma melhora na condição com a efetividade de programas de crédito e transferência de renda, como o auxílio emergencial.

De toda forma, a queda significativa do PIB atinge o país no ano em que se esperava uma retomada econômica de mais fôlego. No início do ano, quando a pandemia do coronavírus estava concentrada na China e não se sabia ao certo quando e como chegaria ao Brasil, os especialistas estimavam crescimento econômico para este ano na casa de 2,3%. Porém, com o avanço da doença e a piora no cenário político, a previsão para a economia tem piorado. Vale lembrar, entretanto, que as revisões na estimativa do PIB têm sido mínimas há quatro semanas, variando cerca de 0,05 ponto porcentual para cima ou para baixo. Esse movimento coincide com a reabertura de atividades não essenciais em grandes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo.

Além do PIB, a pandemia de Covid-19 tem mais consequências em indicadores da economia brasileira. Os economistas consultados pelo BC estimam que o IPCA, que mede a inflação oficial do país, termine o ano em 1,63%, pouco acima da previsão da semana anterior, de 1,61%. O resultado esperado está abaixo da meta traçada, que é de 4%, e também abaixo da margem de tolerância, que varia entre 2,5% e 5,5% para este ano. Em abril e maio, o IPCA indicou deflação e, no ano, a variação dos preços é 0,16% negativa. O índice de junho deve ser divulgado na próxima semana, pelo IBGE. 

O comportamento de inflação baixa pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a fazer novos reajustes na taxa básica de juros, a Selic, como forma de estímulo monetário, apesar do colegiado enxergar como pequena a margem para novos ajustes. Na última reunião, ocorrida na semana passada, o comitê cortou a taxa em 0,75 ponto porcentual. chegando a 2,25%, a mínima histórica. Os analistas financeiros enxergam que é possível mais algum corte na Selic este ano, encerrando 2020 no patamar de 2% ao ano.

Ainda segundo o Focus, o dólar comercial deve encerrar o ano cotado a 5,20 reais no fim do ano. A moeda americana, que chegou a bater na casa dos 6 reais em maio, vinha recuando a cotação devido pacotes de estímulo do governo americano, mas acelerou novamente e chegou aos 5,50 reais na semana passada. O corte na Selic, junto com o temor global de uma nova onda de contaminações por coronavírus causam instabilidade no câmbio.

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