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Mercadante quer ampliar itens nacionais nos produtos

Governo deve estender o Processo Produtivo Básico (PPB) para a produção de computadores, notebooks, televisores e celulares

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, disse nesta segunda-feira que a exigência do governo para que empresas aumentem o conteúdo nacional em seus processos produtivos é uma tendência que deverá ser seguida em vários setores estratégicos.

O melhor exemplo para essa política, na avaliação dele, são os tablets, cujo Processo Produtivo Básico (PPB) exige que as empresas aumentem a quantidade de componentes nacionais do dispositivo ao longo dos anos. Em troca, há concessão de incentivos fiscais que, no caso, chegam a 36% apenas em impostos federais. “Acredito que este é o caminho. O tablet foi um êxito e, a partir desse exemplo, temos de fazer mais no setor de tecnologia da informação e em outras áreas estratégicas”, disse o ministro, após participar de um seminário sobre o tema da inovação, em São Paulo.

Segundo Mercadante, o ministério planeja elaborar processos produtivos básicos para a produção de computadores, notebooks, televisores e celulares. “A partir daí, vamos conseguir criar escala para atrair a indústria de componentes, que é mais estratégica e mais difícil”, disse.

Na avaliação de Mercadante, o Brasil tem condições de exigir maior conteúdo nacional das empresas. “Somos um dos melhores mercados do mundo e um dos mais promissores com essa crise. Temos de usar esse instrumento para desenvolver a cadeia produtiva em áreas estratégicas”, afirmou.

Medicamentos e games – Outro exemplo bem-sucedido citado pelo ministro foi o de medicamentos genéricos, que, segundo ele, trouxe empresas e tecnologias para o país. “O Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e o Ministério da Fazenda defendem essa posição em conjunto. Não fazemos isso isoladamente”, garantiu.

Para Mercadante, as mudanças no processo produtivo básico em qualquer setor serão feitas com cautela. “Tudo deve ser precedido de audiência pública e a indústria deve tentar acompanhar. Não se pode fazer mudanças bruscas, e isso não faremos, mas essa é uma discussão que está na pauta.”

O ministro disse que nesta terça-feira, às 11 horas, uma empresa vai anunciar um grande investimento no mercado de games. Ele não quis adiantar nome ou detalhes, mas disse que a empresa desenvolverá o projeto na Zona Franca de Manaus. “É um investimento importante na área de games, que vem crescendo muito no mundo. O Brasil vai entrar fortemente neste segmento”, disse.

Segundo Mercadante, a desoneração da folha de pagamentos anunciada pelo governo para o setor de tecnologia da informação está atraindo investimentos para o setor.

(com Agência Estado)