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Marina Silva pede que ministério substitua militares por técnicos

Com pasta do Meio Ambiente sob nova direção, ex-presidenciável pede recomposição de orçamento de órgãos de controle, para retomar combate ao desmatamento

Por Felipe Mendes Atualizado em 25 jun 2021, 20h07 - Publicado em 25 jun 2021, 17h14

Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência da República, o Ministério do Meio Ambiente vê o seu orçamento para ações de combate ao desmatamento ilegal ser reduzido aos poucos. Em 2021, a previsão de recursos orçamentários para a pasta é de 2,98 bilhões de reais, montante 9% inferior, em termos reais, ao orçamento executado no ano anterior. Enquanto o país chama a atenção do mundo por sua falta de eficácia em ações de combate à exploração ilegal de madeira, grilagem e defesa dos povos indígenas, a pasta muda de mãos, com a saída de Ricardo Salles e a chegada de Joaquim Álvaro Pereira Leite. Conhecido por sua atuação no agronegócio e por ser braço-direito de seu antecessor, Juca não deve causar muitas rupturas no modus operandi da pasta. Ex-senadora e ex-ministra da mesma pasta, Marina Silva pede que o novo titular tenha coragem para romper com o que ela classifica como “desmonte ambiental” e que recomponha o orçamento para as ações de órgãos geridos pelo ministério.

Somados, os orçamentos previstos para ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) obtiveram, em termos nominais, um desconto de 5% em 2021, para 2,26 bilhões de reais. “Se o governo quiser passar uma imagem diferente para o mundo, o novo ministro precisa impor uma agenda, recompondo os recursos do orçamento do Ibama, do ICMBio, do Inpe, e substituindo todos esses militares que não entendem nada de meio ambiente por técnicos de carreira”, aconselha. “É preciso retomar o plano de prevenção e controle do desmatamento e políticas de apoio à comunidade por meio do Fundo Amazônia. O problema é que eu não sei se Bolsonaro quer isso, porque é ele quem opera a política da insolvência do Brasil em todos os segmentos.”

Para ela, Juca chega para fazer uma espécie de “gestão da massa falida”. Novo titular da pasta, Joaquim Leite foi nomeado pelo próprio Salles, em 2019, como diretor do Departamento Florestal do ministério. Depois, ele ascendeu na pasta ao assumir a Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais. “O atual ministro já estava junto com o Salles na secretaria de políticas para a Amazônia e o resultado que nós tivemos foi de aumento do desmatamento, aumento da grilagem, aumento da exploração ilegal de madeira, garimpo e violência contra os povos indígenas”, dispara a política. “Agora, se o atual ministro quiser fazer alguma coisa, tem alguns passos que são necessários. O primeiro deles é não ouvir as recomendações do Bolsonaro, porque essa política de desconstrução e desmonte da política ambiental é orientação direta do presidente da República”. A despeito dos rumos que a pasta irá tomar nas mãos do atual titular, Marina comemorou a exoneração de Salles, cuja participação no governo ela classificou como parte de um grupo “demolidor das políticas públicas”. “A saída de ministros como Abraham Weintraub, Ernesto Araújo, Eduardo Pazuello e como o Salles é uma vitória para a sociedade”, opinou.

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