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Mantega volta a criticar política monetária dos EUA, mas elogia UE

Em visita à Tóquio, onde está sendo realizada reunião do FMI, ministro disse que economia brasileira voltou a crescer em ritmo de 4%

Por Da Redação - 11 out 2012, 14h05

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçou nesta quinta-feira suas críticas à política de expansão monetária adotada pelos Estados Unidos, afirmando ainda que a economia brasileira voltou a crescer a um ritmo superior a 4%. O ministro fez as declarações durante reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Tóquio. “Estamos preocupados com o excesso de expansão monetária (…). Quando isso é exagerado, começa a criar efeitos colaterais como a desvalorização do dólar, que traz prejuízos para quem tem reservas. A China tem (reservas), os BRICS têm e, de forma geral, (o excesso de expansão monetária) estimula a guerra cambial porque outros países respondem da mesma forma.”

O ministro e a presidente Dilma têm feito consecutivas críticas às novas medidas de estímulo à economia norte-americana, anunciadas pelo Fed em setembro. Mantega sugeriu que as políticas adotadas pelas economias mais avançadas sejam discutidas nos eventos na capital japonesa. “Ninguém quer ver suas moedas se valorizarem e o comércio internacional é importante. Temos de conversar para ver se podemos encontrar uma política comum”, propôs.

Ao falar sobre os efeitos da crise e as formas de contrabalançar a desaceleração global, o ministro disse que a economia do Brasil começou a reagir e mostrar maior ritmo de expansão. “Já estamos acelerando nosso crescimento no segundo semestre e voltando ao patamar de crescimento acima de 4%”.

Apesar dessa avaliação positiva, Mantega salientou que a crise levou a uma expressiva contração do comércio mundial. “Houve forte redução das trocas comerciais. Estamos em 2012 com um dos menores crescimentos comerciais de todos os tempos”, disse.

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A Organização Mundial do Comércio (OMC) informou no mês passado que o comércio em escala global, pressionado pela crise da Europa, crescerá apenas 2,5% neste ano, para menos da metade da média anterior de 20 anos.

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Um dos motivos do baixo crescimento da economia brasileira tem sido a redução no ritmo de expansão das exportações. O país iniciou o ano acreditando que exportaria 264 bilhões de dólares e, após retração nos mercados compradores, o governo calcula que os embarques poderão ser menores que os de 2011.

Diante disso, e do dinamismo reduzido nos países avançados, Mantega considerou que as economias emergentes terão de se contentar com baixo nível de crescimento e incentivar seus respectivos mercados internos para assegurar alguma expansão.

União Europeia – Ao abordar as medidas que possam ser adotadas para atenuar os efeitos da desaceleração global, Mantega disse que a implementação de instrumentos pela União Europeia é determinante para o combate à crise.

“Quando se trata de países europeus, nossa visão é de que eles estão adotando as medidas corretas, que os instrumentos que estão sendo construídos são adequados”, disse ele, referindo-se à supervisão bancária comum e à união fiscal. “Mas o problema é que esses instrumentos ainda não estão sendo usados e implementados. A implementação continua sendo adiada”, completou Mantega.

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(com Reuters)

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