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Mantega nega que México esteja ultrapassando o Brasil

Ministro da Fazenda argumenta que é preciso avaliar período mais longo para comparar as duas nações; por este critério, segundo ele, o Brasil está melhor

Por Da Redação - 4 dez 2012, 15h46

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu-se nesta terça-feira das críticas do senador José Agripino Maia (DEM-RN) sobre o baixo crescimento econômico do Brasil neste ano. Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Maia disse que o Brasil vem exibindo números de crescimento extremamente preocupantes. “Estamos perdendo a corrida para o México que é a bola da vez”, disse. “Não quero que o Brasil seja atrelado a aqueles que não crescem. Já cresceu 7,5% e está patinando e crescendo à frente só do Paraguai”, completou.

Mantega rebateu as afirmações do senador, destacando que é preciso considerar o período analisado. “Se pegarmos o pior momento, um ano, é verdade. Mas, se pegarmos os últimos anos, a média de crescimento do México em quatro anos é igual ou inferior ao do Brasil”, disse.

O ministro observou que o México caiu 6,5% em 2009 e está se recuperando da queda. “Para 2013, a projeção para o México é menor que (a para) o Brasil. Neste momento, alguns países da América Latina vão melhor porque não tem indústria e são exportadores de commodities. E as exportações de commodities vão muito bem”, declarou.

Segundo o ministro, seria mais adequado uma comparação em um período mais extenso. “O Brasil ganhou uma capacidade maior de crescimento. E não estou falando da boca para fora”, prosseguiu Mantega. Ele afirmou que, entre 2003 e 2010, o Brasil cresceu a uma taxa média de 4,5%. De 2006 a 2011, com dois anos ruins (2009 e 2011), o crescimento médio do PIB foi de 4,2%. “Não dá para dizer que foi ruim. É um excelente desempenho do PIB na última década”, defendeu.

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Mantega destacou que é normal que os investimentos caiam nos momentos de crise. “A China tem estrutura econômica e política diferente da nossa. As comparações são complexas e ela está em fase de desenvolvimento diferente da nossa”, argumentou.

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Brics – O ministro disse que, entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil está “no meio” em termos de crescimento, com dois países melhores que o Brasil e dois abaixo. Ele ponderou que a Rússia em 2008 e 2009 sofreu muito com a crise e teve crescimento negativo. “Não tivemos isso. Não dá para pegar um ponto fora da curva”, acrescentou referindo-se ao crescimento econômico deste ano.

Mantega destacou que o governo está conseguindo criar as condições para que a indústria e os investimentos se recuperem, a despeito das crises americana e europeia. As declarações do ministro, no entanto, a cada dia que passa, perdem credibilidade entre os especialistas pelas seguidas previsões erradas que faz. Além disso, no último trimestre, o desempenho do país foi sim um verdadeiro vexame ante as outras nações do bloco de emergentes. Enquanto o Brasil avançou 0,9%, a China cresceu 7,4%; a Índia, 5,3%; a Rússia, 2,9%; e a África do Sul, 2,3%.

Indústria – Mantega declarou na CAE que hoje o país tem um projeto de nação. “Se não tivesse, teria sucumbido em 2008 na primeira crise – que foi violenta e derrubou muita gente”, pontuou.

Ao responder ao parlamentar que questionou qual era a vocação produtiva do país, o ministro enfatizou que é preciso ter indústrias. Segundo ele, o Brasil tem vocação para ter indústrias, para ser exportador de commodities e também de ser um centro de serviços, pois o mercado de consumo doméstico é “enorme”. “Somos o terceiro, o quarto, o quinto mercado de qualquer coisa, então o Brasil combina essas virtudes. Podemos ser um país agrícola e industrial”, considerou.

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O ministro salientou ser importante ter indústria, pois esse setor é responsável por desenvolvimento tecnológico e por criar emprego de qualidade mais alta. “E isso tem dado resultado. É claro que em momento de crise todos se retraem: a indústria e o investimento também.”

Taxa de investimento – Pelos cálculos de Mantega, “para ser bom”, os investimentos têm de ser o dobro da taxa de crescimento do PIB. “Estamos perseguindo PIB de 4% no ano que vem e (uma taxa de) investimento de 8%. Temos condições de alcançar isso, e com as contas públicas sobre controle”, garantiu.

Ele admitiu que falta infraestrutura no país, mas aproveitou para rebater a oposição ao dizer que esse gargalo foi um legado do governo anterior, do ex-presidente Lula. Na avaliação dele, esse é um resquício dos últimos 30, 40 anos de governo. “E temos de corrigir”, emendou.

Na sequência, o ministro salientou que a questão da produção de energia está praticamente corrigida e que ferrovias e rodovias – importantes para o transporte de produtos – estão em desenvolvimento em conjunto com o setor privado. “Precisamos, de fato, de infraestrutura para escoar produtos mais rapidamente e reduzir custos e projetos que estão sendo apresentados.”

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Conta públicas – O ministro também defendeu as contas públicas nacionais. Maia criticou o aumento dos gastos públicos. “Ninguém pode falar das nossas contas públicas. São saudáveis, temos os superávits maiores do mundo, o primário mais alto do mundo e os gastos correntes estão controlados”, disse Mantega.

“Nossa situação fiscal é muito mais sólida que dos Estados Unidos e dos países europeus. Damos de dez”, afirmou o ministro da Fazenda. Ele disse ainda que ninguém questiona a situação fiscal do Brasil e lembrou que o país passou para grau de investimento em período recente.

(com Estadão Conteúdo)

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