Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Mantega admite ter recebido denúncias contra ex-presidente da Casa da Moeda

Ele, porém, afirmou que não considerou as acusações consistentes e que o PTB, autor da denúncia, não fez queixa formal

Em seu primeiro pronunciamento após a veiculação de acusações de irregularidades contra Luiz Felipe Denucci, ex-presidente da Casa da Moeda (ouça o áudio), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ter recebido, em 2010, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), denúncias contra o funcionário – que só foi demitido no último sábado. No entanto, não as considerou consistentes.

Denucci é suspeito de receber, por meio de duas empresas offshores, nas Ilhas Virgens Britânicas, 25 milhões de dólares de fornecedores da Casa da Moeda. Ele nega ter recebido o dinheiro.

Mantega afirmou que não poderia dar continuidade a qualquer procedimento administrativo contra Denucci, como o encaminhamento da questão a uma comissão de sindicância interna, porque o partido teria apresentado apenas “alegações superficiais”.

Segundo Mantega, a indicação do executivo foi feita pelo líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). O ministro acrescentou que foi o próprio parlamentar que pediu a demissão do indicado.

Mantega afirmou ainda que chegou a sugerir ao PTB que procurasse os meios legais para oficializar a denúncia contra Denucci. “Vocês façam isto pela via legal. Façam uma acusação formal porque, aí sim, nós podemos investigar e tudo mais. Caso contrário, trazer suposições de que ele tem isso ou aquilo pode ser feito contra qualquer funcionário. Você não pode simplesmente, com alegações superficiais, dar prosseguimento”, afirmou.

O ministro disse que, quando Denucci foi admitido, ele tinha credibilidade. “Havia uma operação, mas que já tinha sido virada de cabeça para baixo, já estava sendo investigada, era uma questão administrativa”, afirmou. Mantega disse ainda que não o iria “prejulgar” com base em denúncias publicadas na imprensa.

Fim da missão – Mantega afirmou que o governo não cedeu ao PTB ao tirar Denucci do cargo. “Parece que o PTB não está satisfeito com o governo em relação a essa questão. Eu esperei o momento mais adequado para que isso (a exoneração) fosse feito”, afirmou.

Ele afirmou que Denucci vinha terminando sua missão, que era fazer a modernização da Casa da Moeda, e que o governo “costuma trocar os funcionários que cumprem as missões” – ainda que, em algumas situações, “o funcionário peça para sair”. “Nesse caso, ele estava sendo pressionado. Uma pressão muito forte. Então nós já estávamos dando andamento à sua substituição”, afirmou.

O ministro afirmou que já tinha entrevistado três possíveis candidatos para ocupar o cargo e que estava esperando fechar o ano, fechar o Orçamento com o resultado de 2011, para fazer a substituição. Mantega não deu nomes, mas disse que o próximo presidente da Casa da Moeda será um técnico “totalmente sintonizado” com o desempenho do órgão.

Congresso – Mantega acrescentou que não foi convidado formalmente a prestar esclarecimentos no Congresso Nacional sobre o imbróglio na Casa da Moeda. “Isso é meio obscuro. Não sei se tem um parlamentar que falou (para convocar o ministro). Não vi os líderes falando isso”, desconversou.

Segundo o ministro, o melhor a fazer agora é aguardar a sinalização do Legislativo. “Por enquanto, não há convocação e me parece que não temos mais a dizer do que isso. Parece que (o caso) está amplamente retratado”, disse.

Mantega encerrou a entrevista, na portaria do Ministério, sem responder à pergunta de jornalistas a respeito de investigações relacionadas a Denucci feitas pela Polícia Federal. Ao longo da conversa, o ministro também definiu como “acusações sem fundamento” as denúncias sobre Denucci que chegaram à ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Confira o áudio da entrevista

(com Agência Estado)